Contudo, era a primeira vez que se deparavam com uma demonstração de força daquele nível. Ficaram todos paralisados de terror.
Cada um agarrou a própria cabeça, sem saber o que fazer.
Mas logo instintos antigos falaram mais alto. Quando estavam no Brasil, eles também faziam escândalos para conseguir o que queriam.
Assim, a mãe de Susana e suas duas irmãs recorreram ao velho truque de sempre: jogaram-se no chão e começaram a berrar e espernear:
— Socorro! Estão nos batendo... Estão nos matando!
Não satisfeitas em apenas se jogar, fingiram estar feridas, rolando no chão em meio a choros e gritos.
O tradutor, ao ver a cena, deu uma risada:
— Ainda tentam esse tipo de encenação? Interessante, muito interessante.
Ele imediatamente pegou o celular para gravar um vídeo, sem esquecer de enviar uma cópia para Sérgio.
As mulheres da família Barreiros, incluindo as crianças, seguiram o exemplo e se atiraram no chão para fazer manha. Os homens da família, por sua vez, partiram para cima dos novos chefões, prontos para brigar e exigir justiça para suas mulheres feridas.
A confusão tomou conta do lugar. O tradutor manteve-se afastado; não pertencia àquele grupo, não podia intervir e, como as pessoas já haviam sido transferidas, o problema não era mais dele. Ele apenas continuou gravando.
De repente, um estrondo ecoou. Um homem caiu no chão no mesmo instante.
O silêncio tomou conta do ar de forma abrupta.
Quando todos finalmente processaram o que havia acontecido, viram uma enorme poça de sangue se formando no chão.
Sílvia soltou um grito agudo, levantou-se num salto e correu em direção a ele:
— Elvis! Elvis, o que aconteceu com você?
O homem havia sido morto com um único tiro e já não podia responder.
Sílvia levou os dedos trêmulos até debaixo do nariz dele; não havia mais respiração.
Em um instante, toda a família Barreiros ficou em estado de choque absoluto.
Após a fala do novo chefão, o tradutor fez questão de repassar a mensagem:
— O novo chefe de vocês não faz caridade. Se causarem confusão no território dele, preparem-se para levar chumbo.
Claro, ele geralmente não é tão extremo a ponto de matar, mas vocês precisam ser submissos e obedientes.
Ele disse que, para aqueles que não morreram e não querem morrer, é bom segui-lo.
Quem decidir ficar, fará companhia a este cadáver no enterro.
O novo chefe já havia virado as costas e partido. A família Barreiros, tomada pelo pânico, não sabia como reagir.
Agora estão em um país estrangeiro, em uma mina clandestina. Daqui para frente, vão comer o pão que o diabo amassou.
Pâmela disse:
— Mande o vídeo para a Susana. Ela precisa saber, afinal, alguém morreu.
— Acho que a Sra. Barreiros não se importa muito. Mas é verdade, ela tem o direito de saber.
Ainda assim, era algo que ela deveria ser informada.
Sérgio enviou o vídeo para Susana.
Durante uma pausa no trabalho, Susana assistiu à gravação e, em seguida, apagou o arquivo.
Ela não contou a Doroteia que seu pai havia morrido.
Morto por morto, que diferença fazia? Alguém como ele, vivendo na vila, provavelmente acabaria destruindo os outros até a morte. Que importância tinha o lugar onde ele perdeu a vida? Com ele morto, a violência doméstica acabava.
Talvez, com a morte dele, os dias de trabalho escravo de Sílvia fossem um pouco menos sofridos.
Pelo menos, depois de trabalhar por duas pessoas, ela não precisaria mais passar o tempo de descanso servindo e cuidando dele.
Já era alguma coisa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...