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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 93

Branca

A casa ficou silenciosa depois que todos se dispersaram.

Laís e André saíram juntos, ainda discutindo detalhes do processo, vozes baixas e passos apressados. Tamara já tinha ido embora, prometendo chegar cedo no dia seguinte.

Aelyn dormia no quarto, exausta demais para lutar contra o sono.

Eu fiquei na cozinha por alguns minutos a mais, lavando xícaras que já estavam limpas, só para não pensar em como minha vida tinha mudado tanto.

Mas pensar era inevitável.

O peso do que tinha acabado de ouvir ainda apertava meu peito. Jonathan. Clara. Provas. Estratégias. Separação litigiosa.

Era tudo demais.

Eu estava correndo para não ter que ficar perto de nada disso, mas parecia impossível.

Jonathan sempre me caçaria, sempre viria atrás de mim. Ele nunca abriria mão do que ele achava que era dele, e ainda tinha meu filho, que na mente dele, eu estava escondendo. E de verdade, eu preferia que ele pensasse assim.

Tentei me acalmar, e afastar esses pensamentos, respirando fundo. Puxei um pano de prato para secar as mãos e o soltei na bancada.

Quando me virei, Cássio estava encostado no batente da porta, me observando em silêncio.

"Ei..." ele falou e caminhei até ele, sentindo seus olhos me guiarem.

"Ei..." sorri de lado e nos encaramos por alguns segundos. "Aelyn ainda está dormindo?" Ele concordou.

"Ela apagou cedo. Acho que pulou demais", ele disse.

"Você acha?" Sorri para ele. " Agora que o fisioterapeuta a liberou para ser uma criança que corre e pula, ela está tirando o atraso." n´´os rimos com ele concordando.

"Eu não sabia o que era ver minha filha assim a muito tempo."

"Acostumesse, por que ela já voltou a falar que quer ir para a escola como as outras crianças." Ele bufou e acariciei seu rosto. "Falei para ela que agora tinha um problema, mas que logo você sentaria para conversar com ela." ele concordou.

"Obrigado por isso. Não posso nem pensar na possibilidade de tirá-la de casa. Não com Jonathan a solta e tão perto de nós."

É, eu sei... e me sinto responsável por isso."

"Não sinta. Se não fosse ele seria outra coisa." Tentei acreditar em suas palavras, mas não era tão simples assim.

"Obrigada por mais cedo."

Ele franziu levemente a testa.

"Pelo quê? Não me agradeça por fazer o mínimo."

"Para mim não é o mínimo, e você sabe disso." ele ergueu meu queixo e me analisou.

"Você pensa demais, Branca. Para de tentar achar um motivo para não merecer as coisas que acontecem com você. Apenas aceite que você é o que é, e as pessoas querem te ter por perto e te ajudar porque gostam de você." Prendi a respiração com suas palavras, e então concordei.

Caminhamos até a sala, apenas refletindo sobre tudo o que aconteceu naquele dia e as últimas palavras dele, realmente mexeram comigo.

Sentamos no sofá, mantendo uma distância, como se fosse necessário ter algo entre nós naquele momento.

"Você não precisava assumir tudo daquele jeito", falei, quebrando-o. "Eu consigo lidar com isso."

Ele virou o rosto na minha direção.

"Eu sei que consegue." A voz saiu firme. "Mas não me importo em ajudar."

A forma como ele disse aquilo… não era autoritária. Era protetora. E isso me desarmou.

"Às vezes eu sinto que estou sempre um passo atrás", confessei. "Quando acho que estou respirando de novo, algo puxa o ar de volta. Me j**a para além do que eu gostaria."

93. Nós três 1

93. Nós três 2

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