Cássio
Tirei a rosa da mão dela com calma.
Devagar demais para ser inocente.
Passei a flor pelo rosto dela, sentindo a pele quente sob as pétalas, observando cada micro-reação que ela tentava esconder. O sorriso contido. O olhar que oscilava entre desafio e entrega.
“Quando comprei o urso pra Aelyn”, murmurei, a voz baixa, próxima demais, “pensei em trazer alguma coisa pra você também.”
Ela riu, aquele riso curto que sempre vinha quando eu acertava o alvo.
“Olha como ele é gentil”, provocou. “E como você me quer na sua cama de novo.”
Inclinei o rosto e mordi de leve a orelha dela, só o suficiente para fazê-la prender a respiração.
“Mas isso eu nem preciso falar, não é?”
Ela sustentou meu olhar. Firme. Linda. Teimosa como sempre.
Roubei um beijo rápido, intenso, só para marcar território. Não era hora de mais. Não ainda.
“À noite”, sussurrei contra os lábios dela, “eu te ensino boas maneiras.”
Afastei-me um passo antes que ela respondesse.
“Agora vamos curtir o momento com a minha filha. E com os nossos convidados.”
Ela arqueou a sobrancelha.
“No plural?”
“Sim”, respondi, casual demais para quem estava claramente se divertindo. “Chamei o André pra passar o dia com a gente também.”
Os olhos dela se arregalaram.
“Cássio… e se ele perceber alguma coisa?”
Inclinei a cabeça, fingindo considerar.
“O quê?”, provoquei. “Não sabe se controlar? Vai ficar babando por mim na frente do seu irmão?”
“Idiota”, ela xingou, me empurrando de leve no peito antes de sair da salinha.
Sorri sozinho por meio segundo.
Então abri a porta atrás dela, com força.


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