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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 296

Aelyn

Subi as escadas antes que a porta fechasse completamente.

Não corri, ou talvez tenha corrido, não prestei atenção suficiente para distinguir, mas quando cheguei no meu quarto a porta fechou atrás de mim com aquele estalo de quem precisa de uma barreira entre ela e o resto do mundo, e eu virei a chave sem pensar duas vezes.

Fiquei parada no escuro por um segundo.

O quarto estava quieto. A rua lá fora estava quieta. Tudo estava quieto de um jeito que contrastava completamente com o barulho que estava acontecendo dentro de mim.

Então as batidas na porta, me resgataram da minha mente.

"Aelyn." A voz da Serena. Rapida e animada. "Abre, irmã."

Não respondi.

"A gente ouviu tudo", a Sophia disse, do outro lado.

Fechei os olhos.

Claro que ouviram.

"Vocês são duas fofoqueiras, claro que iriam ouvir...", eu disse, para a porta.

"Deu certo...."

"Vão dormir."

"Irmã, queremos..."

"Vão dormir, eu preciso pensar sobre isso." Falar com elas não ajudaria agora. Elas estavam mais emocionadas do que eu naquele momento. "Só preciso ficar sozinha um pouco. Vai dormir, Serena. Você também, Sophia."

"Ah que sacanagem. Fizemos tudo isso para você nos ignorar agora..."

"Amanhã meninas, amanhã eu falo com vocês. Eu preciso me entender primeiro."

Elas ficaram em silêncio por um pouco e então a voz da Serena, voltou mais baixa:

"Tá bom. Mas a gente está aqui se precisar."

Ouvi os passos se afastando.

Quando o corredor ficou em silêncio de verdade, eu escorreguei pela porta até sentar no chão, as costas encostadas na madeira, as pernas dobradas na frente.

E fiquei assim.

Sem fazer nada. Sem pensar com ordem. Só deixando aquilo existir por um segundo sem tentar organizar.

Ele tinha me beijado.

Felipe tinha me beijado.

Levei a mão até os lábios devagar, aquele gesto involuntário de quem está verificando que alguma coisa foi real, e fiquei assim por um momento, os dedos frios contra a boca que ainda tinha a memória daquilo.

Não foi um beijo delicado.

Não foi o tipo de beijo que você imagina quando pensa em primeiro beijo com alguém que importa. Foi aquele outro tipo, urgente, assustado, daquele jeito que diz mais do que qualquer discurso porque vem de algum lugar que não passou pelo filtro do raciocínio.

E eu tinha ficado parada.

Não tinha correspondido, não tinha recuado. Tinha ficado ali naquele espaço do meio que era provavelmente a coisa mais honesta que eu tinha feito em anos.

Peguei o celular.

Liguei para o Luciano.

Atendeu no segundo toque.

"Ei..."

"Ele me beijou."

Silêncio por dois segundos.

"Repete."

"Ele me beijou, Luciano." A voz foi embora de vez, aquelas lágrimas que eu tinha segurado desde o corredor aparecendo sem pedir licença. "A gente estava brigando, eu mandei ele embora, e ele... ele simplesmente me beijou."

"Meu Deus."

"Eu sei."

"E você?"

"Fiquei parada." Enxuguei o rosto com as costas da mão. "Não fiz nada. Fiquei parada até eu me lembrar que devia fazer alguma coisa e aí o afastei." Soltei o ar. "E então ele foi embora dizendo que não vai desistir e eu não sei o que fazer com isso, Luciano, não sei se é real ou se é uma reação porque viu um homem perto de mim e amanhã vai acordar arrependido e vai querer esquecer tudo e eu vou ter que conviver com isso e..."

"Aelyn." A voz dele chegou firme, sem me dar espaço para mais nada. "Respira."

Respirei.

"De novo, repira fundo e solta pela boca."

Respirei de novo.

"Melhor?"

"Um pouco."

296. [Segunda Fase] - O que eu faço agora? 1

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