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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 248

Jonathan

Eu tinha escolhido aquele café por ser discreto.

Pequeno, movimentado o suficiente para não chamar atenção, num bairro que eu conhecia bem, saídas em três direções, câmeras com ângulo ruim, o tipo de lugar onde uma pessoa podia passar horas sem que ninguém lembrasse do rosto dela depois.

Eu era cuidadoso. Sempre fui.

Paguei o café, dobrei o jornal que estava usando como escudo, me levantei sem pressa. Saí pela porta lateral, como sempre, checando o entorno com aquele hábito que virou instinto nos últimos meses.

A rua estava normal.

Dei três passos.

E então tudo aconteceu rápido demais para que eu pudesse reagir.

Dois homens, cada um de um lado. Coordenados com uma precisão que não era amadora, eram profissionais, e eu reconheci isso tarde demais. Um braço fechou nos meus ombros por trás, outro pegou meu cotovelo, e antes que eu abrisse a boca eu já estava sendo movido, os pés mal tocando o chão, em direção a um carro preto que tinha parado no meio-fio como se sempre tivesse estado ali.

"Me solta..."

A porta fechou e o carro arrancou.

Eu olhei para os dois homens sentados um de cada lado, e nenhum dos dois me olhou de volta. Olhavam para frente, para o nada, com aquela indiferença de quem fez isso muitas vezes antes e ia fazer muitas vezes ainda.

Não falei mais nada.

Não porque tivesse medo, eu me recusei a nomear aquilo como medo, mas porque estava calculando. Lendo o ambiente, tentando identificar padrão, tentando entender quem tinha recursos suficientes para uma operação desse nível sem que eu tivesse percebido nenhum sinal.

O carro parou vinte minutos depois.

Me tiraram com a mesma eficiência com que me colocaram, e eu me vi num corredor amplo, paredes altas, cheiro de madeira e tempo. Reconheci o lugar imediatamente, assim como o mandante de tudo aquilo.

As mãos nos meus ombros me empurraram para baixo com uma força que não deixou escolha, e eu fui de joelhos no chão com um impacto que doeu mais do que eu ia admitir.

E então olhei para cima.

Victor Krieger estava sentado na poltrona à minha frente.

Ele ficou me olhando por um longo momento sem falar. Aquela expressão que eu conhecia, fechada, calculada, sem entregar nada antes de estar pronto para entregar.

Eu endireitei o tronco tanto quanto consegui com as mãos seguras atrás das minhas costas.

"Jonathan." Meu avô pronunciou meu nome e pensei em rir. "O que você está fazendo da sua vida?"

"Estou fazendo o que aprendi a vida inteira com o senhor. Lutar pelo que é meu." Ele estreitou os olhos.

"Eu disse para você se afastar." Ele não levantou a voz. Não precisou. "Disse isso claramente. E o que você fez?"

"Eu não vou me afastar." As palavras saíram antes que eu pesasse, e eu não recuei delas. "Não vou deixar a Branca ir. Se ela continuar com isso, com esse casamento, com essa vida que está tentando construir em cima da minha..." me inclinei levemente para frente, tanto quanto as mãos atrás permitiam. "Eu vou destruir tudo. Cada parte. Até não sobrar nada."

O tapa veio antes que eu terminasse a frase.

Seco, preciso, sem raiva, o que era pior do que se tivesse raiva. Com raiva, um homem perde o controle. Sem ela, ele está completamente no controle.

Minha cabeça virou para o lado com o impacto.

Fiquei parado por um segundo, sentindo o calor se espalhando pela maçã do rosto, e então voltei a olhar para ele.

Victor Krieger tinha se levantado. Veio até mim devagar, parou a alguns centímetros, e se abaixou levemente até ficar na minha altura. Quando falou, a voz estava baixa, quase gentil, o que era mais assustador do que qualquer grito.

"Você não vai fazer mais nada", ele disse. "Porque eu vou consertar o que eu fiz. Com você. E com sua irmã."

248. Era o fim? 1

248. Era o fim? 2

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