Entrar Via

Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 222

Jonathan

O cheiro desse lugar me incomoda mais do que deveria. Mofo, ar abafado, paredes que parecem guardar segredos antigos demais… mas, ainda assim, é exatamente por isso que eu estou aqui. Ninguém procura por alguém em um lugar que já foi esquecido.

Eu ando de um lado para o outro sem parar, o celular na mão, tentando ligação atrás de ligação, todas ignoradas, todas caindo no vazio. Cada chamada não atendida só reforça o que eu já sei. Ela fez isso. Ana fez isso.

Eu solto uma risada baixa, passando a mão pelos cabelos com força, tentando aliviar a pressão que cresce dentro de mim. "Você realmente achou que ia conseguir me prender?" A imagem dos homens de branco invadindo o meu espaço ainda está viva demais na minha cabeça, junto com o jeito calmo dela, como se já tivesse vencido.

Disco para o meu avô mais uma vez, esperando uma resposta que não vem. O telefone chama até cair, e o silêncio do outro lado é pior do que qualquer resposta poderia ser. Claro… ela já falou com ele, já virou o jogo como sempre faz.

"Maldita vagabunda!" Grito irado, sem acreditar em como minha vida chegou àquele momento.

Eu aperto o celular com força, sentindo o material ceder sob os meus dedos, e fecho os olhos por um segundo. Não é confusão. Não é descontrole. É clareza. Eu nunca confiei nela. Nunca. E é exatamente por isso que eu sempre tive um plano fora do plano.

Pego o outro telefone, aquele que ninguém sabe que existe, e disco direto para quem resolve problemas sem fazer perguntas. Dessa vez atendem no segundo toque, e eu não perco tempo. "Quero tudo sobre a Ana. Movimentações, decisões, contatos… tudo. E eu quero rápido. Qualquer falha. Qualquer desvio. Encontre todas as falhas da minha irmã."

Há uma breve pausa do outro lado, e então a pergunta vem, cautelosa. "Algum foco específico?" Eu sorrio de lado, encarando o vazio à minha frente. "Quero saber o plano que ela tem para mim."

A ligação termina rápido, e o silêncio que fica depois não é vazio, é pesado, carregado de algo que está prestes a acontecer. Eu paro no meio do espaço, tentando encaixar as peças que sempre estiveram ali, mas que agora começam a fazer sentido de verdade.

O celular vibra na minha mão mais rápido do que eu esperava, e eu atendo no mesmo instante. "Fala." Minha voz sai firme, mas por dentro algo já se prepara para o pior.

"Já temos algumas informações." O tom do outro lado muda, e eu sinto isso antes mesmo de entender o motivo. "Ela movimentou recursos por fora, sem passar pelo conselho. Autorização direta, assinada por ela. Mas não foi só isso."

Eu fico em silêncio por um segundo, sentindo o ar ficar mais pesado dentro do meu peito. "Continua."

"Tem um acidente... que não foi um acidente... Que acarretou na morte de uma mulher e de uma criança."

O mundo trava. Não é uma metáfora. É literal. Tudo para por um segundo, como se minha mente se recusasse a processar aquilo de primeira.

"Repete." Minha voz sai mais baixa, mais controlada… mais perigosa.

"Ela planejou o acidente."

Eu não me mexo. Não respiro. Nada. Apenas escuto.

"E o alvo era a senhora Branca… e o filho dela, Pedro."

222. Eu não sou o vilão 1

222. Eu não sou o vilão 2

222. Eu não sou o vilão 3

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz