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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 168

Cássio

Eu ainda estou tentando processar tudo que aconteceu na escola.

Aelyn falando com Pedro. Branca chorando nos meus braços. Minha pequena dizendo coisas que nenhuma criança da idade dela deveria sequer imaginar.

Dirijo em silêncio, olhando pelo retrovisor de vez em quando. Aelyn está no banco de trás, balançando as perninhas e cantando alguma música inventada sobre pôneis, coelhos e cavalinhos.

No mundo imaginário dela, tudo faz sentido. Mas aqui, entre nós tudo parece tão... assustador.

Olho para Branca ao meu lado. Ela está quieta, olhando pela janela. Como se também visse o que Aelyn lhe contou. Como se o futuro não fosse mais tão doloroso.

O sorriso dela é diferente, bem mais leve. Mais calmo. Talvez o sorriso de uma Branca que eu ainda não conheci. Ou tenha conhecido quando nós ficamos a primeira vez naquele bar, há tantos meses atrás.

Quando chegamos em casa, Aelyn praticamente pula do carro. Assim que entra na sala, começa a rodopiar no meio do tapete.

"Mamãe! Quando eu começo a escola?" Branca ri.

"Ainda não sabemos, princesa. Mas assim que mandarem a lista de material escolar, nós vamos comprar tudo."

Os olhos da menina brilham.

"Eu vou ter mochila?"

"Vai."

"E lápis de cor?"

"Também."

"E lancheira?"

"Também."

Aelyn solta um gritinho e sai correndo pelo corredor como um pequeno foguete humano.

Eu observo aquilo com o peito cheio. Por um momento eu me esqueço de todas as preocupações que ainda nos rondam. Eu sou imensamente grato por esses momentos. Nunca pensei que ver uma criança feliz pudesse me deixar assim. Mas deixa.

Quando Branca se vira para mim, eu simplesmente a puxo para meus braços. Estou viciado em tê-la ali comigo. Perto de mim, sentindo seu cheiro, seu calor, seu toque. Branca se tornou parte vital da minha existência.

"Cássio!" ela ri surpresa.

Eu enterro o rosto no pescoço dela por um segundo.

"Temos que marcar nosso casamento." Ela se afasta um pouco para me olhar. Já passou da hora da gente oficializar isso."

Ela ri.

"É muita emoção pra um dia só, não é? Não precisamos ter pressa."

Eu sorrio.

"Não. Acho que as emoções podem aumentar um pouco mais. E quero isso. Quero tudo com você."

Seguro o rosto dela entre minhas mãos.

"Está tudo se encaixando perfeitamente." Ela me observa com atenção. "Nos encaixamos como uma família", continuo. "Nos moldamos nas nossas tristezas… crescemos onde precisávamos crescer." Passo o polegar pela bochecha dela. "Agora precisamos continuar evoluindo." Respiro fundo. "E dar um nome pra tudo isso."

Os olhos dela se enchem de emoção. Ela concorda com a cabeça e me beija. É um beijo lento. Ainda carregado de tudo que vivemos hoje.

Quando nos afastamos, ela ainda parece pensativa.

"Cássio…"

"Hm?"

"Você acha mesmo que a Aelyn tem falado com o Pedro?"

Dou de ombros.

"Ela fala com unicórnios." Branca ri. "Por que não falaria com ele também?"

Ela balança a cabeça, rindo, e me abraça de novo.

Eu beijo os cabelos dela.

168. Nós 1

168. Nós 2

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