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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 166

Branca

A escola era ainda mais bonita do que parecia na televisão.

Assim que entramos pelo portão branco, Aelyn praticamente saltou da minha mão, os olhos enormes passeando por tudo ao redor. O lugar parecia saído de um sonho infantil.

Havia um pequeno celeiro logo na entrada, com coelhos em cercadinhos de madeira clara, galinhas caminhando preguiçosamente pelo gramado e dois pôneis que mastigavam tranquilamente.

"Olha, tia Branca!" Aelyn puxou minha mão com força. "Eles têm cavalinhos!"

A diretora caminhava ao nosso lado, sorrindo com gentileza enquanto explicava cada detalhe do espaço.

"Nosso método pedagógico incentiva muito o contato com a natureza. As crianças cuidam dos animais, plantam hortas, aprendem responsabilidade desde cedo. Tudo para que a educação seja o mais natural e habilidosa possível."

Aelyn já estava ajoelhada na frente de um coelho branco, falando com ele como se fosse um velho amigo.

Meu coração apertou de um jeito estranho.

Cássio, ao meu lado, mantinha aquela postura séria que ele sempre assumia quando estava avaliando alguma coisa.

"Quantas câmeras existem na escola?" ele perguntou.

A diretora pareceu surpresa, mas respondeu com tranquilidade.

"Temos cobertura completa nas áreas externas e internas, exceto banheiros e salas de troca, claro."

"E controle de entrada?"

"Portaria com identificação biométrica obrigatória."

Ele assentiu, analisando tudo com aquele olhar atento.

Mas eu… eu mal conseguia ouvir.

Eu só conseguia olhar para Aelyn. Ela corria atrás das galinhas agora, rindo alto, com os cabelos voando atrás dela como uma pequena tempestade de alegria.

E então veio.

Aquele pensamento. Pedro ia amar isso.

Minha garganta fechou.

Ele teria corrido junto com ela. Teria mostrado os coelhos. Teria puxado Aelyn pela mão e dito para ela subir no pônei primeiro. Eles seriam melhores amigos.

Engulo em seco. De repente, meu peito parece pequeno demais para o que estou sentindo. Meus olhos começam a arder.

Desvio o olhar rapidamente e me afasto alguns passos de Cássio antes que ele perceba.

Finjo observar o parquinho colorido.

Mas eu não estou vendo nada. Eu só consigo sentir a saudade esmagando meu peito.

Pedro deveria estar aqui. Meu menino deveria estar aqui.

Engulo em seco novamente e viro para uma das auxiliares.

"Desculpa… onde fica o banheiro?"

Ela aponta para um pequeno corredor lateral.

"Só seguir por ali."

Assinto rapidamente e me afasto antes que minha voz me traia.

O banheiro está vazio.

Entro na primeira cabine que encontro e fecho a porta atrás de mim. Assim que me sento no vaso, tudo desaba. As lágrimas escorrem antes mesmo que eu consiga tentar impedir.

Cubro o rosto com as mãos.

Faz tempo que eu não sinto isso tão forte. Aquela dor crua. Aquela falta que parece um buraco dentro do peito.

Minha respiração treme. Porque, no meio daquela dor, vem um pensamento ainda pior. Eu estou me esquecendo dele. O pânico sobe como uma onda.

"Não…"

Minha voz sai fraca.

166. Meu Pedro 1

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