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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 10

Branca Oliveira

Claro.

Por que eu esperaria outra coisa?

A resposta veio automática, mas ficou presa só dentro de mim. Eu não disse em voz alta. Não queria que Aelyn ouvisse. Não queria que ela percebesse que, naquele instante, eu tinha acabado de perder o último pedaço de controle sobre a minha própria vida.

Cássio continuou falando como se estivesse apresentando um contrato verbal, não uma sentença.

"Você ficará com a Aelyn vinte e quatro horas por dia." O tom era firme, inegociável. "Ela não pode cair, não pode se machucar, não pode passar por nenhum tipo de estresse. Qualquer intercorrência, você me chama imediatamente."

Assenti devagar. Aquilo, pelo menos, fazia sentido. Se eu estava ali, era por ela. E eu faria o possível para não ter que encarar aquele homem mais do que o necessário.

"Certo."

Ele me observou por alguns segundos, como se estivesse procurando alguma resistência que não veio.

"Alguma pergunta?"

Eu respirei fundo antes de falar.

"Sim. Quando eu posso buscar minhas roupas… e qual banheiro devo usar. Imagino que não seja apropriado dividir o mesmo da Aelyn."

Por um instante, achei que ele fosse rebater com alguma resposta seca, mas Cássio apenas virou o corpo e caminhou até uma porta lateral, abrindo-a.

"Aqui."

O cômodo era menor, mas organizado. Um closet simples, funcional, e um banheiro privativo no fundo, discreto, e o suficiente para ter um minuto de privacidade.

"Você pode guardar suas coisas aqui. E usar esse banheiro." Ele me lançou um olhar breve. "Não sou tão insensível assim."

Revirei os olhos antes de conseguir me conter.

"Imagina se fosse..."

Ele ignorou o comentário, fechou a porta e voltou a andar pelo corredor comigo logo atrás.

"O motorista está lá fora. Vai levá-la até sua casa para buscar o que precisar. Assim que estiver pronta, volta e começa a trabalhar. Contando de hoje, você terá sua primeira folga em 15 dias."

Respirei fundo, sentindo o peso de tudo aquilo.

"Eu estou de carro. Posso ir sozinha."

Ele parou de andar e me encarou como se eu tivesse acabado de contar uma piada ruim.

"E correr o risco de você fugir?" disse, seco. "Nem pensar. Minha filha é a coisa mais importante da minha vida e, goste você ou não, é a sua presença que a mantém bem. Então faremos o que for necessário."

Abri a boca para retrucar, mas ele inclinou levemente a cabeça, apontando com o olhar para a porta de vidro do quarto.

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