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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 1

Branca Oliveira

Eu não queria estar ali.

Tudo o que eu queria naquela noite era deitar, dormir e esquecer da vida. Mas minha melhor amiga, Lais, entrou no meu apartamento com uma tiara brilhando "ANIVERSÁRIO DA RAINHA" e uma garrafa de vodka na mão.

"Você vai sair comigo. Nem tenta fugir. Não é todo dia que se faz 28 anos."

Ela me arrastou antes que eu tivesse tempo de inventar uma desculpa.

Eu estava cansada. Exausta. Mãe solo, plantão duplo chegando, contas acumuladas. Mas, no fim, aceitei. Talvez um pouco de barulho fosse melhor do que pensar demais e como ela disse, eu só faria 28 anos, uma vez na vida.

Minutos depois, estávamos num bar chique do centro, cheio de gente bonita e música alta. O tipo de lugar em que eu sempre me sinto invisível. E isso ficou ainda mais claro quando o bartender me ignorou pela quinta vez.

"Moço... uma cerveja, por favor?"

Nada. Ele nem olhou na minha direção.

Lais já estava rindo com um desconhecido, enquanto eu tentava manter a dignidade apoiada no balcão.

"Moço? Aqui!" Ele novamente não olhou para mim, mas foi em direção a chopeira. "Finalmente."

O copo foi colocado diante de mim, e estiquei a mão para pegar, mas uma mão masculina o pegou primeiro e o levou embora.

Eu pisquei, achando que estava delirando.

Mas não. Ele pegou a minha bebida.

Me virei na hora para reclamar, e quase perdi o ar. Um homem alto, terno preto mesmo num bar, cabelo escuro arrumado, postura de quem nunca ouviu a palavra "não". Ele me analisou devagar, como se estivesse decidindo se eu valia o incômodo.

"Acho que isso é meu", falei, cruzando os braços.

"O bartender colocou na minha direção, senhora." A voz dele era grave e calma demais para alguém que acabou de roubar uma bebida.

"Você só pode estar brincando comigo. Estava bem na minha frente. Você tem problema?" Ele arqueou a sobrancelha, como se eu fosse uma criança birrenta.

"Quem parece ter é você. Talvez precise ser mais rápida."

Eu pisquei, uma, duas vezes, tentando assimilar o que ele disse. Isso parece ter dado tempo para ele entender que tinha ganhado o jogo, mas ah! Não mesmo.

Pisei no pé dele.

Ele travou o passo, virou devagar, e me lançou um olhar que poderia ter me deixado em cinzas. Se eu fosse do tipo que recua fácil... mas não sou.

"Que porra foi isso?", ele perguntou. "Ficou maluca, mulher?"

"Isso foi pra você aprender a não roubar bebida dos outros." Aproximei o rosto do dele. "Você pode achar que qualquer um aqui tem que abaixar a cabeça para suas vontades, mas eu não."

Ele me encarou, tenso... e interessado. Deu pra ver em sua postura, ele não sabia esconder bem.

"Vai me dizer que você é uma daquelas pessoas vitimistas, que o mundo está sempre contra você? Eu só peguei o que era meu."

"Não sabia que roubar tinha mudado de definição."

Peguei o copo da mão dele e virei. Bebi metade do conteúdo.

Ele soltou uma risada curta. "Audaciosa."

"Não. Só cansada de macho folgado."

Quando achei que não poderia ficar melhor, minha mente resolveu me deixar ainda mais baixa.

O beijo veio forte, urgente, quebrando toda a lógica do momento. Meu corpo colou no dele sem que eu percebesse, minhas mãos subiram para a nuca dele, e ele segurou minha cintura como se já me conhecesse há anos.

Eu tinha que me afastar e meter a mão na cara daquele abusado, mas eu não consegui. Eu sentia tanta falta de contato masculino. Desde que me separei, meu mundo era só o Pedro e esse homem louco, tinha conseguido algo que eu nem imaginava que podia voltar a acontecer.

A música sumiu, o bar sumiu, Lais sumiu. Só existia ele, a boca dele, o calor dele.

"Vamos para outro lugar", murmurou contra meus lábios e apenas concordei com a cabeça.

Mal lembro como chegamos ao banheiro. A porta bateu atrás de nós, a tranca girando com um clique que soou alto demais no silêncio. Ele me virou de costas para a porta no mesmo segundo, as mãos já subindo pelas minhas coxas, erguendo o vestido com uma urgência que me fez ofegar.

"Você quer isso tanto quanto eu, não é?", ele sussurrou no meu ouvido, os dentes mordiscando a minha pele enquanto uma das mãos se infiltrava entre minhas pernas, sem pedir licença, só constatando o óbvio. Eu estava molhada pra caralho. Por ele. Por aquilo.

Eu empurrei os quadris contra a palma dele, pedindo mais sem palavras, e ele riu baixo, satisfeito, antes de me virar de novo e me beijar até eu esquecer meu próprio nome.

Foi rápido. Foi errado. Foi desesperado, suado, quase violento de tão necessário. E foi perfeito.

Quando saímos, ele ajeitou o terno com calma, como se nada tivesse acontecido, mas os olhos ainda queimavam quando cruzaram com os meus por um segundo. Eu puxei o vestido para baixo, as pernas trêmulas, o corpo inteiro latejando de um prazer que ainda ecoava.

Nenhum nome trocado. Nenhuma palavra além dos gemidos. Nenhuma promessa.

Só o gosto dele na minha boca.

Caminhei lentamente, procurando pela Lais, quando meu celular tocou.

Era do hospital que eu trabalhava e imaginei que alguma das assistentes sociais tinha faltado e eu teria que resolver o problema.

"Oi, você sabe que é meu dia de folga né?"

"Branca, é a Marina. Branca, por favor, venha para cá. Sua mãe e seu filho foram trazidos pelo resgate. Eles sofreram um acidente."

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