“Liz Bianchi”
A manhã começa com o som de malas sendo arrastadas pelo corredor.
Quando desço para o café da manhã, encontro Sofia já arrumada na sala de estar, conferindo uma última vez se não esqueceu nada.
— Bom dia, querida — ela me cumprimenta com um sorriso caloroso. — Dormiu bem?
— Muito bem — respondo, sinceramente, porque a noite foi… maravilhosa.
Ettore aparece logo depois, já pronto para o trabalho. Quando nossos olhares se cruzam e ele sorri, sinto minhas bochechas esquentarem.
Será que Sofia ouviu os barulhos da nossa reconciliação oficial ontem à noite?
— O motorista já está pronto, Nonna — ele informa, beijando a testa da avó.
— Ótimo, querido — Sofia responde, então volta o olhar para mim. — Liz, posso falar com você um momento? A sós?
Ettore assente e sai para atender uma ligação, nos deixando sozinhas na sala de estar.
— Quero que saiba — Sofia começa, segurando minhas mãos — que estou muito orgulhosa de vocês dois. E o que conversamos ontem… espero que tenha ajudado.
— Ajudou, sim — admito. — Muito.
— Lembre-se do que te disse sobre honestidade — ela continua, apertando minhas mãos. — Algumas verdades podem parecer impossíveis de contar, mas sempre há uma forma. E quando você encontrar essa forma…
— Vou me arrepender de não ter feito isso antes — completo, sorrindo.
— Exato — ela ri, me puxando para um abraço apertado. — Cuide do meu neto, querida. E deixe que ele cuide de você também.
— Prometo, Nonna.
Ela sorri um pouco mais e me puxa para mais um abraço.
Alguns minutos depois, estamos parados em frente ao carro. Sofia abraça o neto com força, sussurra algo no ouvido dele que o faz rir, e depois se vira para mim.
— Até logo, minha querida neta — diz, segurando meu rosto com carinho. — E lembre-se: coragem não é ausência de medo. É fazer o que precisa ser feito, apesar do medo.
— Obrigada por tudo, Nonna — respondo, com a garganta apertada. — Vamos sentir sua falta.
Ela sorri e se afasta para entrar no carro. Enquanto o veículo parte, percebo o silêncio que ficou para trás.
Aquele tipo de silêncio que só aparece quando alguém faz falta. E Sofia, definitivamente, fará muita falta.
— Vamos? — Ettore pergunta, apertando minha cintura.
— Vamos — concordo, deixando que ele me guie até o carro.
O trajeto até a empresa é tranquilo, cheio de conversas bobas. Falamos sobre o tempo, sobre os planos para o fim de semana…
É surreal como tudo parece… normal. Naturalmente nosso.
Quando chegamos à empresa, entramos juntos no elevador.
— Quer almoçar comigo hoje? — pergunta, me puxando pela cintura.
— Claro — respondo, sorrindo. — Estarei ansiosa.
— Eu também, piccola — ele diz, me beijando antes de as portas se abrirem. — Te amo.
— Sei que é perigoso, amiga — continuo. — Sei que posso colocar muita coisa em risco. Mas não posso mais viver com essa mentira entre nós. Ele merece saber a verdade.
— E como pretende provar? — ela pergunta, baixando a voz. — Não é como se tivéssemos gravações ou documentos…
— Mas temos memórias. Datas. Pessoas que estavam envolvidas — digo, me inclinando para frente. — Só preciso organizar tudo de forma que faça sentido. Que mostre o padrão.
— Isso é arriscado, Liz. Muito arriscado — responde, balançando a cabeça. — Acha que ainda existem evidências?
— Não sei — admito, passando as mãos pelos cabelos. — Será que há documentos? E-mails? Pode ser que ainda exista alguma coisa que prove que Victor me chantageou. Ou que mostre que Riccardo foi contratado para fazer aquilo.
— Três anos depois? — ela arqueia uma sobrancelha. — Liz, pessoas como Victor Bianchi não deixam rastros desse tipo de coisa.
— Não sei, mas preciso tentar.
— Ainda acho que isso é loucura — minha amiga resmunga, com razão. — Seria melhor se você simplesmente… contasse a ele.
— Sei disso, Giu. Mas essas provas… também são uma forma de me proteger da Chiara.
Giulia fica em silêncio por alguns segundos, mexendo no café, pensativa.
— Você sabe que, se fizer isso… não tem volta, né?
— Sei. E é exatamente por isso que vou fazer direito dessa vez — respondo, convicta. — Vou provar que Victor fez aquilo e que Chiara sabe. E que ela continua me chantageando.
Dou um gole no café, sentindo a determinação subir como fogo na veia.
Vou conseguir essas provas. E quando eu tiver… vai ser o fim da linha para ela. E para qualquer um que tentar nos separar de novo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário
me dejaron a mitad...