“Ettore Bianchi”
Observo Liz sentada no sofá, com aquela expressão que conheço bem demais.
A mesma de quando está lutando internamente, tentando encontrar as palavras certas para algo difícil.
— Quer começar falando sobre a proposta do Japão? — pergunto, ao notar seu silêncio, como se não soubesse por onde começar. — Três meses trabalhando com artesãos tradicionais. É uma oportunidade incrível, Liz.
— É — ela concorda, mas a voz soa hesitante. — Mas também é…
— Assustador?
— Complicado — corrige, com um sorriso fraco. — Especialmente agora que… bem, que as coisas entre nós estão diferentes.
— Entendo. E o que você quer fazer?
— E o que você acha que eu deveria fazer? — Ela rebate, me surpreendendo.
Quando recebi o e-mail com a proposta, acreditei que Liz aceitaria sem pensar duas vezes. Agora, ela está aqui, pedindo minha opinião.
— Acho que você deveria ir — respondo, honesto.
— Sério? — pergunta, visivelmente surpresa.
— Liz, sei que essa oportunidade define muito bem uma carreira — explico. — Você seria louca se recusasse por minha causa.
— Mas… e nós? — insiste. — Sei que não conversamos sobre isso, mas sei que tudo mudou, Ettore. Sei que estamos tentando reconstruir tudo.
— Três anos atrás, eu estava disposto a largar a tudo por você — digo, inclinando o corpo para a frente e apoiando os cotovelos nos joelhos. — Da empresa do meu pai, dos planos que ele tinha para mim, de toda a estrutura que a família Bianchi havia construído.
Vejo minha mulher engolir em seco.
— E você não permitiu que eu fizesse isso — continuo. — Na época, odiei você por isso. Acreditei que estava me rejeitando, que havia escolhido outro homem, que não estava disposta a fazer o mesmo por mim.
— Ettore…
— Deixa eu explicar onde quero chegar — peço, levantando a mão. — Ir para Londres foi a coisa mais difícil que já fiz. Mas também foi… necessária. Me forçou a crescer. Me tornou quem sou hoje.
Me levanto e caminho até a janela com as mãos nos bolsos, organizando os pensamentos.
— Profissionalmente, foi a melhor coisa que me aconteceu — admito. — Pelo lado pessoal… bem, você sabe como foi.
— Por que está falando sobre isso? — ela pergunta, a voz baixa.
Me viro para encará-la.
— Porque não quero que você cometa o mesmo erro que eu quase cometi. Não quero que abra mão de uma oportunidade como essa e, daqui a alguns anos, acabe se arrependendo.
— E se eu não quiser ir?
— Então você não vai — respondo, sinceramente. — Mas que seja sua decisão, Liz. Não por medo, não por obrigação, não porque acha que deve escolher entre sua carreira e nosso casamento.
Ela fica em silêncio por um longo momento, me observando como se tentasse decifrar algum código.
— Você mudou — murmura, finalmente.
— Nós dois mudamos — corrijo, voltando a me sentar. — A questão é: mudamos para melhor?
— Não sei — ela admite. — Mas sei que… o que sinto por você nunca mudou, Ettore. Nem nos piores momentos, nem quando você me odiava, nem quando achei que tinha perdido você para sempre.
O alívio no rosto dela é tão evidente que quase me faz sorrir.
— Obrigada — sussurra.
— Só, por favor — peço, segurando suas mãos novamente —, não me faça me arrepender de te dar mais esse voto de confiança.
— Prometo que vai valer a pena.
— Estou ansioso por isso, Piccola — respondo, levantando a mão para acariciar sua bochecha. — E o Japão?
— Não faço ideia do que fazer — ela suspira, apoiando o rosto na minha mão. — É incrível, profissionalmente falando. Mas… não quero ficar longe de você.
Assinto, puxando-a para o meu colo. Liz apoia a cabeça no meu peito.
— Quer saber o que eu acho? — murmuro, acariciando sua cintura.
— O quê?
— Acho que, independente da sua decisão, vamos encontrar uma maneira de fazer dar certo — digo, beijando seus cabelos. — Seja aqui ou no Japão.
— Você realmente acredita nisso?
— Acredito — afirmo, sem hesitar. — Porque três anos separados não conseguiram acabar com o que sentimos. Alguns meses não vão conseguir.
Ela sorri. Um sorriso verdadeiro. O primeiro da noite.
— Te amo — sussurra. — Sempre amei.
— Eu também te amo — respondo, selando minhas palavras com um beijo. — E sempre vou amar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário
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