“Giulia Romano”
Encaro o buquê de girassóis sobre minha mesa, tentando decidir se jogo no lixo ou levo para casa de novo.
Desde sábado, Max começou essa campanha ridícula de “reconquista”, e minha paciência está no limite.
Ligações na segunda. Mensagens na terça. E hoje, quarta-feira, ele apareceu no fim do expediente com esse buquê de girassóis. Que, claro, são meus preferidos.
Me levanto num pulo, pego os girassóis e vou até a lixeira. Mas paro no meio do caminho.
— Vocês são lindas demais para isso — murmuro, balançando a cabeça.
Solto um suspiro, resignada. Por que tudo que envolve Max tem que ser tão complicado?
Pouco depois, quando termino de organizar tudo, pego minhas coisas — e o buquê — e saio da sala.
No estacionamento da empresa, sou recebida por uma chuva torrencial que começou do nada. O céu escuro parece ter conspirado contra mim.
— Perfeito — murmuro, olhando para o temporal. — Simplesmente perfeito.
Liz e Ettore já foram embora há uma hora. A maioria dos funcionários também. Sou praticamente a única idiota que ficou até tarde terminando um projeto que podia muito bem esperar até amanhã.
Respiro fundo e corro em direção ao carro, tentando me proteger da chuva com a bolsa.
Chego ensopada. Mas nem tenho tempo de reclamar, porque meu estômago afunda de vez.
O pneu está murcho.
— O que falta para piorar?! — grito para o céu, como se isso fosse resolver alguma coisa.
A chuva continua caindo, e eu continuo ali, parada como uma idiota, me encharcando ainda mais.
Quando finalmente volto a raciocinar e me preparo para tentar chamar um táxi, vejo os faróis de um carro se aproximando.
— Giulia? — A voz familiar me faz revirar os olhos antes mesmo de me virar.
Claro que seria ele.
Me viro e vejo Max parando o carro ao meu lado.
— Está tudo bem? — pergunta, com aquele tom preocupado que me irrita ainda mais.
— Está ótimo — respondo, sarcástica, apontando para o pneu. — Como você pode ver, está tudo perfeito.
Ele sai do carro imediatamente, se molhando tanto quanto eu.
— Precisa de ajuda?
— Não, obrigada. Pode ir — rebato, sem muita convicção. Porque, honestamente, preciso de ajuda sim.
— Giulia, você está ensopada e com o pneu furado — ele diz, se aproximando. — Pelo menos me deixa te dar uma carona.
— Sabe, é curioso você aparecer exatamente agora — digo, cruzando os braços. — Foi você que furou meu pneu?
— O quê? — ele pergunta, visivelmente chocado. — Claro que não! Por que eu faria isso?
— Para me obrigar a aceitar sua ajuda.
— Giulia, posso ter sido um idiota manipulador, mas furar pneu de mulher na chuva? — rebate, passando a mão pelos cabelos molhados. — Isso é coisa de psicopata, não de desesperado.
Fico em silêncio, sentindo a chuva me molhar ainda mais. Ok, essa acusação foi meio absurda.
— Olha — ele continua, tirando o paletó e colocando sobre meus ombros —, você pode continuar me odiando amanhã. Mas agora, entra no carro antes que a gente morra congelado.
O paletó dele está quente. E tem aquele perfume irritantemente bom.
— Giulia, eu queria, de verdade, que você aceitasse jantar comigo um dia. Que me desse a chance de me redimir… — diz, num tom baixo. — Mas… já entendi que não tem mais solução.
Então é isso? Ele vai mesmo desistir?
— Bem… Então, obrigada pela carona — digo por fim.
Ele apenas assente e eu abro a porta para sair. Paro por um segundo na chuva, com os girassóis ainda nas mãos, olhando para ele.
Max realmente vai embora. Sem insistir. Sem tentar mais nada.
E, de repente, isso me incomoda muito mais do que todas as tentativas insistentes dele.
— Max — chamo de novo, me virando para encará-lo, sentindo meu coração acelerar. — Eu não quero jantar com você um dia.
Ele assente, visivelmente decepcionado. Mas continuo antes que ele diga qualquer coisa.
— Quero jantar com você hoje. — Dou um meio sorriso, hesitante. — Quer… subir?
A expressão de surpresa no rosto dele seria cômica se eu não estivesse tão nervosa com essa decisão.
— Você tem certeza? — pergunta, como se não acreditasse no que acabou de ouvir.
— Se demorar, vou mudar de ideia — aviso, quase arrependida por ter dito.
Max assente e sai do carro num pulo, atravessando a chuva com um sorriso que poderia iluminar a rua inteira.
— Espero que não me faça me arrepender disso — murmuro, abrindo a porta do prédio.
— Prometo que não vou falar nada — ele responde, me seguindo.
— Duvido. — Reviro os olhos, mas não consigo esconder o sorriso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário
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