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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 115

Isabella continua em pé atrás da mesa, mas agora… parece outra pessoa. A arrogância habitual foi substituída por algo que reconheço.

Cansaço. O tipo de cansaço que vem de carregar um peso que nunca deveria ter sido seu.

— Todos temos escolhas, Isabella — digo, me aproximando. — O que muda são as consequências.

— É fácil dizer isso — rebate, finalmente me encarando. — Pelo visto, você nunca precisou fazer o que mandavam.

Ela solta uma risada amarga e balança a cabeça.

— Você escolheu sua carreira, escolheu com quem se casar, escolheu seu próprio caminho — continua, agora em um tom mais baixo. — Eu nunca pude escolher nada. Nem meus próprios sentimentos.

— Isabella, do que você está falando? — pergunto, tentando entender onde ela quer chegar.

— Esquece — murmura, passando a mão pelos cabelos. — Você não entenderia mesmo.

— Tenta me explicar — insisto, sentindo que tem mais coisa aí do que ela quer deixar transparecer. — O que quer dizer com “nunca ter tido escolha”?

Isabella me observa por alguns segundos, como se estivesse pesando cada palavra.

— Minha vida inteira foi decidida por outras pessoas — diz, por fim. — Onde estudar, que carreira seguir, com quem me relacionar… nunca foi sobre o que eu queria.

Sinto um aperto no peito. Há algo naquela vulnerabilidade que me acerta de um jeito estranho. Familiar.

— Até meus sentimentos foram definidos por eles — continua, a voz falhando um pouco. — “Isabella, você precisa se casar com Ettore.” “Isabella, é assim que tem que ser.” “É para o bem da família.”

Fico em silêncio, tentando processar. Parte de mim se pergunta se é uma tentativa de manipulação. Ganhar minha empatia e desviar o foco das suspeitas.

Mas… e se não for?

— Eu entendo mais do que você imagina — digo, parando ao lado dela. — Sei o que é sacrificar suas vontades por causa de expectativas que nem foram suas.

— Não é a mesma coisa.

— Não? — arqueio uma sobrancelha. — Você acha que foi fácil para mim? Que foi escolha minha abrir mão do homem que amava?

Isabella me encara, surpresa.

— Sei o que é ser forçada a tomar decisões que vão contra tudo que você quer — continuo. — Sei o que é fingir que não ama alguém para protegê-lo. Sei o que é carregar mentiras por anos para não machucar outras pessoas.

— Mas você conseguiu dar a volta por cima — sussurra. — No final, olha como você está. Você casou com quem ama.

— Porque em algum momento eu percebi que me deixar de lado seria meu maior arrependimento — respondo. — Sacrificar minha felicidade não estava protegendo ninguém… só estava me destruindo.

Isabella permanece em silêncio, absorvendo cada palavra.

— E você sabe disso também — acrescento, tocando levemente o braço dela. — Se deixar de lado pode ser o nosso maior erro. Viver a vida que os outros planejaram para você nunca vai te fazer feliz.

— É complicado — ela murmura. — Muito mais do que você imagina.

— Eu sei — digo com sinceridade. — Mas se isso está te consumindo desse jeito… talvez seja hora de parar de se sacrificar pelos outros e começar a descobrir o que você realmente quer. Você. Não o que esperam de você.

— Vou demiti-la também — diz assim que termino. — Se ela está envolvida, preciso…

— Espera, amore mio — interrompo, colocando a mão no peito dele. — Ainda não temos certeza. E tenho a sensação de que Isabella não estava sozinha nisso.

— Como assim?

— Alguém está por trás — explico. — Alguém que a está pressionando, assim como ela pressionou a Lorena. E algo me diz que estamos perto de descobrir quem é.

Ettore me observa por alguns segundos, como se decidisse entre me ouvir ou resolver tudo agora mesmo.

— E você acha que ela vai falar?

— Acho que está no limite — respondo, mordendo o lábio. — E quando as pessoas chegam nesse ponto… ou explodem, ou finalmente dizem a verdade.

— E enquanto isso?

— Enquanto isso, vamos apresentar minha coleção — digo, sentindo meu estômago revirar só de pensar. — E torcer para que meu instinto esteja certo.

— Sempre confiando nas pessoas — ele comenta, me puxando para mais perto.

— Funcionou até agora, não? — rebato, me aconchegando em seus braços.

— Verdade — ele concorda, beijando meus cabelos. — Então vamos confiar mais uma vez.

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