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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 90

“Liz Bianchi”

Quando chegamos à minha sala, Giulia se j**a na cadeira como se tivesse corrido uma maratona.

Fecho a porta e me encosto nela, observando minha amiga tentar recuperar o fôlego.

— Ok… — começo, depois de alguns segundos de silêncio. — Quer me explicar o que aconteceu?

— Fui eu, Liz… — ela sussurra, cobrindo o rosto com as mãos. — Fui eu que falei o nome daquele homem.

Me aproximo devagar, me sentando na borda da mesa enquanto ela continua.

— Ontem à noite, no jantar — diz, ainda com as mãos no rosto — aquele… idiota me fez uma pergunta sobre você e o Ettore. Depois comentou que eles tiveram uma reunião com alguém, jogou um nome falso…

— E você corrigiu — completo, já entendendo o desastre.

— Automaticamente — ela geme, finalmente me encarando. — Como uma completa idiota. Ele disse Roberto Mancini, e eu, sem nem pensar, corrigi dizendo que o nome certo. Sem filtrar. Sem me perguntar por que ele estava dizendo aquilo.

— Giu…

— Sou uma imbecil! — explode, levantando num pulo. — Como pude ser tão ingênua? Tão… estúpida? Ele me manipulou direitinho, e eu caí! Como uma patinha!

Vejo as lágrimas se formando nos olhos dela, e meu coração aperta. Giulia raramente chora. Quando acontece, é porque alguma coisa a feriu de verdade.

— Você não é imbecil — digo, me inclinando para acariciar seu braço. — Você confiou em alguém. Isso não te faz burra, te faz humana.

— Faz, sim! — rebate, passando as mãos pelos cabelos. — Principalmente depois de tudo o que falei sobre ele. Sobre o Max Whitmore ser o tipo de homem em quem não se deve confiar… E aí, o que eu faço? Entrego exatamente o que ele queria!

Fico em silêncio por um momento, observando ela andar de um lado para outro como um furacão emocional prestes a causar uma catástrofe de categoria cinco.

— Giulia — chamo, num tom mais calmo. — Você se arrepende?

— Claro que me arrependo! — responde na hora. — Como não me arrepender de ter…

— Não — interrompo, erguendo uma mão. — Eu quis dizer… você se arrepende de ter gostado dele?

A pergunta a para no meio da sala. Ela me encara e vejo a luta interna estampada no rosto.

— Eu… — começa, mas a voz falha. — Claro que me arrependo.

— Mentira.

— Liz…

— Você está assim justamente porque tudo aconteceu de um jeito que não esperava — digo, me levantando. — Se fosse só raiva por ser enganada, você teria dado um tapa e seguido em frente. Mas você está devastada porque confiou… e sentiu algo real.

— E se eu senti? — sussurra, voltando a se sentar. — O que isso muda? Ele me usou, Liz. Como perdoo isso?

— Não sei se dá para perdoar — admito. — Mas sei que você não consegue fingir que não sentiu nada. E talvez… ele esteja realmente arrependido.

— Você acha mesmo?

— Espero que sim — respondo, sinceramente. — Porque, querendo ou não, o Max é importante para o Ettore. E você é importante para mim.

— Como você consegue estar tão… calma? — pergunta, incrédula.

— Porque sei que você nunca faria nada para me machucar de propósito — respondo sem nem pensar. — Talvez, seja melhor que Ettore…

Me levanto da mesa, sentindo o peso do mundo cair nos ombros.

— Porque as coisas com o Ettore estão… diferentes — admito. — Melhores. Pela primeira vez em anos, sinto que talvez temos uma chance real. E agora aparece essa oportunidade que pode mudar tudo.

— E o que você quer, Liz?

A pergunta me faz morder o lábio, pensativa.

O que eu quero?

Quero a chance de mostrar que posso construir algo sozinha, por mérito meu. Não só por ser uma Montesi. Ou uma Bianchi.

Mas também quero a chance de reconstruir o que eu e o Ettore deixamos quebrar.

— Não sei — admito, baixinho. — E é exatamente por isso que essa decisão parece impossível.

— Bom, pelo menos agora temos duas crises pelo preço de uma — ela força uma risada amarga. — A minha com o Max, e a sua com… o Japão.

— Talvez seja hora de largar tudo e fugir — brinco, tentando aliviar o clima.

Ela sorri, mas os olhos ainda brilham pelas lágrimas contidas.

— Giu, você não precisa se sentir culpada — digo, sinceramente. — Se não fosse isso, o Ettore ainda estaria no escuro. Talvez… essa fosse a peça que faltava para tudo finalmente se resolver.

Ou talvez…

Seja só o começo do nosso fim.

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