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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 109

A manhã se arrasta depois que minha mãe sai.

Várias vezes me pego relendo o mesmo documento, adiando aprovações que precisam ser feitas para o lançamento da nova coleção.

Aquela que vai calar a boca de quem duvidou da minha decisão de trazer a Liz para cá.

Minha cabeça está num looping de raiva, frustração e uma vontade quase infantil de quebrar alguma coisa — só para ver se isso alivia.

Seria fácil resolver tudo. O que a Chiara fez é suficiente para várias consequências legais. Mas… ela ainda é minha mãe.

Ainda assim, a manipulação emocional, tentativas patéticas de justificar o injustificável… e zero arrependimento real. Isso me irrita ainda mais.

Durante a tarde, mergulhado nos relatórios da Montesi & Co., folheando as mesmas páginas pela terceira vez, Max finalmente b**e na porta.

— Trouxe o que pedi? — pergunto assim que ele fecha a porta.

Ele assente e se aproxima, colocando uma pasta sobre a mesa.

— Sim. As informações sobre Riccardo — diz, empurrando a pasta na minha direção antes de se sentar. — E sei exatamente o que você está pensando.

— É mesmo? — levanto a sobrancelha, abrindo a pasta.

— É. Já vi esse olhar antes — responde, se inclinando na cadeira. — É o mesmo que você tinha quando achou a maneira perfeita de se vingar da Liz.

Paro de folhear os papéis e o encaro.

— E qual é o seu ponto?

— Que vingança contra o Riccardo não faz sentido — Max diz como se fosse óbvio. — Ele foi pago para fazer aquilo, Ettore. Por mais podre que tenha sido, tecnicamente ele só… cumpriu um trabalho.

— Ele ainda fez — rebato, voltando aos documentos. — Ninguém colocou uma arma na cabeça dele.

— Claro. Mas ir atrás dele agora seria como… culpar a arma em vez do atirador.

Fico em silêncio, processando as palavras dele. Talvez ele tenha razão. A raiva que eu sinto deveria estar direcionada aos meus pais, não ao homem que eles contrataram.

Mas a verdade é que com ele eu posso fazer qualquer coisa. Qualquer coisa. E sem um pingo de peso na consciência.

Começo a ler o relatório, e alguns detalhes me chamam a atenção de imediato.

— Porra… — murmuro, arqueando a sobrancelha. — Dois processos por assédio?

— Sim — Max confirma. — O primeiro foi encerrado do nada. A vítima retirou a queixa depois de um “acordo extrajudicial” que, por acaso, incluía uma cláusula de confidencialidade bem generosa.

— Traduzindo: ele pagou para ela calar a boca.

— Exatamente — diz, apontando os documentos. — E o segundo processo está indo pelo mesmo caminho. A vítima, uma ex-funcionária dele, não tem como contratar um advogado decente, e o Riccardo está se aproveitando disso.

— Conseguiu descobrir quanto meu pai pagou para ele? — pergunto, sem tirar os olhos da papelada.

— Essa é a parte interessante — digo, apontando para uma seção específica. — Não teve dinheiro direto. Riccardo recebeu um contrato comercial “legítimo” que, curiosamente, é a única fonte de renda que mantém a empresa dele de pé.

Assinto. Como sempre, ele tem razão.

— Você ainda não me contou como anda o plano de reconquistar a Giulia — comento, lembrando que estive tão focado que mal perguntei sobre isso.

— Mal — admite, passando a mão pelos cabelos. — Ela não atende as ligações, rejeita as flores, ignora as mensagens…

— E qual é o próximo passo?

— Vou tentar uma abordagem diferente — diz. — Uma que faça ela finalmente ouvir o que tenho para dizer.

— Tenta não fazer nenhuma merda dessa vez — respondo, me recostando na cadeira. — Ou vai acabar piorando tudo.

— Ainda estou decidindo o que vou fazer — ele sorri de lado. — Mas digamos que vai ser… criativa.

— Boa sorte, então — digo, voltando para os relatórios da Montesi.

— Vou precisar — responde, já abrindo a porta. — Nunca achei que fosse tão difícil conseguir o perdão de uma ruiva teimosa.

Sorrio pela primeira vez desde que cheguei à empresa, observando-o sair. Quando a porta se fecha, solto um longo suspiro, me sentindo mais leve.

Às vezes, a melhor vingança é deixar que a pessoa colha os frutos da própria escolha.

Isso não é vingança. É justiça.

E às vezes… isso é suficiente.

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