Entrar Via

Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 108

“Ettore Bianchi”

A manhã amanheceu cinzenta, combinando perfeitamente com meu humor desde ontem.

Depois daquela visita estranha de Antônio, decidi conferir como anda meu investimento na Montesi & Co. e descobri que, se tivesse pegado meu dinheiro e feito uma fogueira, teria melhor aproveitado.

Ele não tem a mínima capacidade de administrar absolutamente nada. E se eu não interferir…

Mal tenho tempo de completar o pensamento quando a porta da minha sala se abre sem aviso.

Não preciso levantar os olhos para saber quem é.

O perfume caro que invade o ambiente já entrega tudo.

— Filho — minha mãe diz, hesitante, fechando a porta atrás de si. — Podemos conversar?

— O que você quer? — pergunto, finalmente levantando os olhos para encará-la.

— Falar sobre nós — responde, sentando-se à minha frente. — Sobre nossa família.

— Isso é interessante — digo, me apoiando na cadeira. — Pensei que você tivesse destruído isso quando decidiu manipular minha vida.

— Filho, por favor — ela suspira, passando a mão pela testa. — Sei que você está magoado, mas…

— Magoado? — interrompo, soltando uma risada seca. — Você destruiu três anos da minha vida. “Magoado” é pouco.

— Fiz o que achei melhor para você — insiste. — Como mãe, era minha obrigação protegê-lo. Você estava pensando em desistir de tudo por…

— Não — corto, me inclinando para frente. — Vamos pular essa parte. Você já me deu suas justificativas, e não vejo motivo para ouvir tudo de novo.

Chiara fica em silêncio por um momento, me observando como se tentasse encontrar uma brecha na minha armadura.

— Agora somos só nós dois — diz, mudando de estratégia. — Seu pai se foi, e eu… não posso perder você também, querido.

— Você não está me perdendo — respondo, mantendo a voz firme. — Você me empurrou para longe quando decidiu interferir na minha vida daquela maneira.

— Mas ainda sou sua mãe! — ela insiste, a voz começando a tremer. — Isso tem que contar para alguma coisa.

— Conta — admito. — É justamente por isso que você não está presa por chantagem e manipulação. Mas ser minha mãe não te dá o direito de destruir a minha felicidade.

— Ettore, por favor — ela se inclina para frente, estendendo a mão na minha direção. — Podemos superar isso. Podemos voltar a ser uma família.

— Podemos? — pergunto, respirando fundo. — Então, que tal começar sendo honesta comigo antes de pensarmos nessa possibilidade?

— Como assim?

— Quero saber tudo que aconteceu há três anos — digo, recostando na cadeira. — Quem planejou aquela encenação? Foi você ou meu pai? Quem escolheu aquele homem especificamente? Como o encontraram?

— Isso é passado, não precisamos…

— Precisamos — corto, firme. — Se você quer meu perdão, se quer reconstruir qualquer coisa entre nós, tem que começar com a verdade. Toda. Sem omissões, sem meias verdades.

— Por que isso importa agora? — ela tenta argumentar. — O importante é que vocês estão juntos e felizes.

— Importa porque eu quero saber até onde vocês foram. Quero saber se ainda tem mais mentiras escondidas, mais manipulações que não sei.

— A besteira já foi feita. Por vocês. — Sorrio sem humor. — Agora, só vou… corrigir alguns erros.

— Estou sendo sincera, você não vê? — pergunta, com a voz beirando o desespero. — Por que continuar assim?

— Agora? Depois de três anos? — retruco, voltando para minha mesa. — Você teve sua chance de ser honesta, mas preferiu me deixar no escuro esse tempo todo. Agora, vai ter que lidar com as consequências.

— Ettore, você não pode me abandonar — ela diz, e, pela primeira vez, há dor real na voz. — Eu sou sua mãe.

— E eu sou seu filho — rebato. — Mas isso não muda o fato de que você escolheu os próprios interesses em vez da minha felicidade.

Chiara fica em silêncio por um longo momento, processando a falha da própria tentativa de manipulação.

— Se mudar de ideia… — começa, se levantando.

— Não estou pensando em mudar — corto, seco. — Mas se realmente quiser que isso aconteça, te aconselho a começar mudando algumas coisas. A partir de agora.

— O que quer dizer?

— Que você ainda tem algo que pode prejudicar a minha mulher — respondo, me referindo ao maldito contrato. — Vamos começar por aí.

Ela assente lentamente, compreendendo o que estou falando, e finalmente sai.

Quando a porta se fecha, respiro fundo pela primeira vez desde que ela entrou.

Agora, tenho outro assunto para resolver.

Riccardo Martinelli.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário