O garçom volta com nossos cafés e, por um momento, ficamos em silêncio, apenas saboreando a familiaridade do momento.
— Sabe o que mais me impressiona? — pergunto, mexendo o açúcar no latte.
— O quê?
— Que, se naquela manhã me dissessem que você seria o amor da minha vida, eu teria rido — respondo, sorrindo. — E olha onde estamos.
— Confessa que você se apaixonou por mim naquela mesma manhã — ele rebate, com um sorriso confiante.
— Convencido! — exclamo, observando o movimento da cafeteria ao nosso redor. — E agora? O que fazemos depois daqui?
— Agora — ele diz, levantando-se e estendendo a mão — quero te mostrar todos os lugares onde me apaixonei por você.
Aceito sua mão e me levanto. Após pagarmos a conta, saímos do café sorrindo, num clima incrivelmente leve.
Caminhamos pelas ruas de Bolonha de mãos dadas e, a cada esquina que viramos, mais memórias voltam à tona.
Seguimos por ruas que conhecemos de cor, até chegarmos aos portões da universidade. Para minha surpresa, eles estão abertos.
— Como…? — começo a perguntar.
— Domingo é dia de visitação livre — explica, me puxando para dentro do campus. — Pensei que você lembraria.
Não lembro, mas finjo que sim. A verdade é que estou ocupada demais tentando processar estar aqui novamente.
O campus está diferente e, ao mesmo tempo, igual. Alguns prédios novos, algumas árvores maiores… mas a essência continua a mesma.
— Para onde estamos indo? — pergunto, quando percebo que ele está me guiando por um caminho específico.
— Você vai ver — responde, com aquele sorriso misterioso.
Caminhamos por alguns minutos até chegarmos a uma área mais afastada do campus, onde as árvores são mais antigas e o movimento é menor.
E então eu vejo.
A árvore.
Grande, imponente, com raízes que se espalham pelo chão como tentáculos. A mesma árvore onde…
— Oh, mio Dio — sussurro, parando abruptamente. — Você também se lembra disso?
— Como poderia esquecer? — ele pergunta, se aproximando da árvore e tocando o tronco. — Foi aqui que tudo mudou de verdade.
Me aproximo devagar, como se a árvore fosse desmoronar se eu chegasse muito perto.
— Eu estava estressada pelas provas — relembro, tocando uma das raízes com a ponta do pé.
— E estava caminhando tão rápido que não prestou atenção no chão — ele completa, sorrindo.
— Tropecei exatamente aqui — digo, apontando para uma das raízes. — E você…
— Te segurei antes que caísse — completa, me puxando para seus braços. — Posso te beijar, piccola?
O encaro, sem conter um sorriso bobo com as mesmas palavras de cinco anos atrás.
Meu coração acelera imediatamente, como se estivéssemos vivendo o momento pela primeira vez.
— Achei que nunca fosse perguntar — respondo, como naquele dia.
Ettore roça os lábios nos meus antes de me beijar devagar, suavemente, exatamente como fez da primeira vez.
É nostálgico e novo ao mesmo tempo. É passado e futuro se encontrando no presente.
Quando nos separamos, ficamos nos encarando por um instante, perdidos nas memórias.
— Vamos subir? — pergunta, saindo do carro.
Assinto, sorrindo como uma boba apaixonada.
Subimos os três andares de escada de mãos dadas. Quando Ettore abre a porta do apartamento, quase caio para trás.
Está limpo. Impecável. Como se alguém tivesse acabado de organizá-lo.
— Como…? — começo, mas ele me interrompe.
— Acordei a Signora Benedetta às cinco da manhã — explica, fechando a porta atrás de nós. — Pedi para ela dar uma arrumada rápida.
— Você realmente planejou tudo — digo, olhando ao redor.
O apartamento está exatamente como eu lembrava. Os mesmos móveis, as mesmas cortinas… até mesmo algumas fotos nossas continuam nas prateleiras.
Ele manteve tudo exatamente igual. Ou talvez nunca mais tenha voltado aqui depois que tudo aconteceu.
— Planejei — confirma, se aproximando de mim. — Porque queria que fosse perfeito.
— Por quê?
— Porque foi aqui que descobri o que realmente significava amar alguém — diz, me puxando para os seus braços.
— Ettore…
— Também foi aqui que me viciei ainda mais em você, piccola — continua, roçando os lábios nos meus. — E eu nunca mais consegui me livrar desse vício.
Sinto meu corpo inteiro reagir à proximidade dele, às memórias que esse lugar desperta, à intensidade do momento.
— Que tal relembrarmos esse vício, amore mio? — sussurro contra seus lábios, puxando-o para um beijo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário
me dejaron a mitad...