Sérgio simplesmente não queria desperdiçar mais sequer um sinal de pontuação com ele; levantou-se abruptamente e saiu.
Mário manteve a calma, acompanhando a silhueta dele com os olhos antes de baixar o olhar.
Tainá perguntou:
— Ele voltou para ver a Nati?
Mário não respondeu.
Marcelo comentou:
— Ah, que dor de cabeça. Isso tudo virou uma confusão irritante.
Mário olhou para ele, sendo franco e direto:
— Você é bom mesmo em ficar em cima do muro.
Marcelo se irritou:
— Você, que é o especialista em resolver as coisas, já resolveu isso? Algumas situações a gente não tem que só dar uma maquiada e engolir?
Mário nem se deu ao trabalho de responder.
Tainá argumentou:
— O problema não é a Melissa afinal?
Marcelo ficou ainda mais aborrecido:
— Senhora Tainá Teixeira, por favor, hein. O que você quer que eu faça? E tem mais, você só tomou partido da Natália porque é muito amiga dela; caso contrário, duvido que ficasse desse lado tão rápido.
Tainá manteve o rosto inexpressivo:
— Eu defendo o que é justo, não escolho lado.
Marcelo não soube o que responder, apenas sentiu a raiva borbulhar.
Ele de fato se via em uma sinuca de bico, desagradando ambos os lados.
Logicamente, ele sabia que Melissa estava errada; no entanto, ainda era sua irmã biológica, que também estava grávida. O que ele poderia dizer num momento desses?
Considerando o estado atual da sua irmã, era impossível evitar o sofrimento no próprio coração. Eles tinham laços de sangue; a compaixão surgia de forma natural e incontrolável.
Laços de sangue não se desfazem, nem mesmo quando os ossos se quebram.
Embora Marcelo não concordasse com as atitudes de Melissa racionalmente, de certa forma... ele conseguia compreendê-la.
Afinal de contas, se o acidente nunca tivesse ocorrido...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de um Amor Que Você Matou