Tainá deu de ombros:
— Não.
Em seguida, ela contou tudo para Fernanda, enquanto seus olhos percorriam o salão quase que inconscientemente, buscando a figura de Mário.
Fernanda puxou Tainá para se sentarem num canto e exclamou:
— Nossa, o Mário é um desgraçado mesmo, que faro afiado!
Tainá ergueu as sobrancelhas:
— Não chega a ser surpresa.
Fernanda assentiu.
Na verdade, Fernanda queria falar mais alguma coisa. Queria perguntar a Tainá se, no fundo, Mário gostava mesmo de Natália.
Mas pensou e repensou, sem saber como fazer essa pergunta em voz alta.
Por fim, desistiu e mudou de assunto:
— Com tudo que está acontecendo com a Natália agora e o Mário ajudando tanto, você sentiu ciúmes?
Tainá se surpreendeu por um momento, virou-se para encará-la e riu:
— Que ciúmes? Por qual motivo eu teria ciúmes?
Fernanda retrucou:
— Que bom, eu estava com medo de que você ficasse magoada.
Tainá forçou um sorriso:
— Claro que não. Estou muito feliz com isso. Se ele não a ajudasse, aí sim eu ficaria irritada.
Fernanda ponderou:
— É, faz sentido.
Fernanda não disse mais nada, mas seguiu a direção do olhar de Tainá e avistou, não muito longe, Mário conversando com Letícia Ferreira e Alexandre Jardim.
Mário abria seu maço de cigarros para pegar um.
Tainá se levantou e caminhou em direção a eles.
No entanto, ela não se aproximou completamente. Perto dos três havia uma coluna estrutural.
Tainá parou atrás da coluna.
Ouviu Alexandre perguntando com bastante hesitação:
— Sr. Junqueira, você vai mesmo adotar nossa mãe como sua mãe de consideração? Ou... foi apenas para confortar a velha senhora?
Uma coisa era confortar, outra bem diferente era oficializar esse laço.

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