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Cinzas de um Amor Que Você Matou romance Capítulo 62

Natália não disse nada, não conseguia pronunciar uma única palavra.

Os dois permaneceram ali, de pé sob o vento gélido da noite.

O sobretudo preto de Mário esvoaçava ao vento frio como uma pantera negra pronta para atacar, mas entre suas sobrancelhas e olhos repousava uma ternura indescritível.

O peito de Natália se encheu de um calor reconfortante e, finalmente, ela abriu um sorriso, dizendo:

— O Sr. Junqueira está me dando conselhos de autoajuda agora?

Mário piscou, surpreso, e logo riu.

Finalmente ela tinha sorrido, e até estava fazendo piadas.

Mário assumiu uma expressão rebelde:

— Que história de autoajuda? Eu não sei nem cozinhar.

Natália sorriu, olhando para ele:

— Por que não está mais me chamando de covarde frouxa?

Mário riu ainda mais. No fundo... ele definitivamente queria ter dado um "puxão de orelha".

Mas vendo-a tão arrasada, a ponto de estar atordoada, claro que... não poderia mais dar broncas.

Senão, as broncas só a deixariam mais confusa.

Ela duvidaria ainda mais de si mesma e ficaria ainda mais perdida.

Mário rebateu:

— Moleca, agora você tem resposta para tudo, é?

Natália respirou fundo. De fato, antes seus sentimentos estavam entorpecidos, não sentia nada, era apenas um grande vazio.

Sem palavras, sem pensamentos, e muito menos emoções.

Mas, depois de ouvi-lo, parecia que... ela estava voltando a si.

Natália olhou para ele, mal havia pronunciado a primeira sílaba da palavra "obrigada", e Mário ergueu o dedo indicador, colocando-o sobre os próprios lábios para interrompê-la.

— Vá logo para dentro e descanse bem — disse ele.

Natália assentiu e fez menção de sair, mas perguntou novamente:

— Ser fraca realmente não é um erro?

Mário respondeu com o olhar firme:

— Não é. A força pode abrir um caminho a sangue e fogo, mas às vezes a fraqueza também pode salvar uma vida.

As pupilas de Natália se contraíram levemente, e ela perguntou outra vez:

— E... continuar gostando dele... também não é um erro?

Mário parou por um instante, o olhar profundo se escurecendo, e instintivamente pegou o isqueiro para acender o cigarro.

Mas de repente hesitou e, antes que Natália pudesse dizer algo, apagou a chama. Depois de uma pausa de dois segundos, respondeu com muita firmeza:

— Sim, não há erro algum.

Natália assentiu:

— Entendi.

Mário tirou o cigarro que pendia dos lábios, usou um pouco de força nos dedos longos para quebrá-lo ao meio e jogou-o displicentemente no chão, dizendo:

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