— Não é tudo suposição da sua cabeça? Seguindo a sua lógica, se eu achasse que formo um casal com o Mário Junqueira, a Tainá Teixeira também estaria roubando meu homem?
Melissa disse: — Natália, o que você quer dizer com isso?
Natália a encarou sem expressão: — Nada demais. Só quero conversar direito com você. Eu já entendi qual é a sua, você não precisa mais fingir, nem tentar fazer chantagem emocional comigo.
— Da boca para fora, você diz que não quer que a gente se divorcie, que não quer que a gente durma em quartos separados, que não quer que a gente brigue. Mas, no fundo, o que você quer é... me ver sofrendo, não é? Vamos falar daquele acidente de dois anos atrás.
— Você acha que eu roubei o Sérgio. Se bem me lembro, quem se casou primeiro foi você. Foi você quem teve um casamento relâmpago com o Fábio Fontes. Então, do que você está reclamando? Está chateada por não ter se casado com o Sérgio?
— Se você não tivesse se casado na época, eu também não ficaria implorando de forma patética para ele assumir a responsabilidade. Você virou as costas, se casou e depois jogou a culpa em nós. O que foi, você acha que... como ele dormiu comigo, ficou sujo, é isso? Se você tivesse que dormir com ele de novo, não ia conseguir, não é?
Melissa cerrou os punhos.
Natália baixou o olhar, observando os próprios dedos limpos: — Sendo assim, mesmo que eu me divorcie do Sérgio, você conseguiria dormir com ele? E agora? Passaram-se dois anos, você mudou de ideia?
A atitude atual de Natália surpreendeu um pouco Melissa.
Mas, após um momento de surpresa, ela riu e disse: — Natália, você também não consegue mais fingir, não é? Fingiu ser a boa esposa e a boa mãe por dois anos, se sacrificando pelo amor, e agora não aguenta mais? Você não o amava tanto? Então você não deveria simplesmente engolir e suportar tudo? Senão, que tipo de amor é esse?
Natália levantou os olhos para ela, com um brilho afiado no olhar: — A raposa mostrou o rabo. Já que ninguém está fingindo mais, vamos deixar tudo claro. O que exatamente você quer?
Melissa fingiu inocência: — O que eu quero? Do que você está falando?
Vendo isso, Natália achou tudo muito maçante e respondeu: — O que você quer, tanto faz. De qualquer forma, ainda faltam cinco meses. Você tem o filho e depois pode sumir. Mas, se você ainda quiser me torturar, já aviso: pare de sonhar.
— O que você e o Sérgio fizerem não me interessa. Se ele quiser vir dormir com você hoje à noite, não me importo. Ah, se quiser ficar no quarto principal, fique à vontade, eu cedo para você.
Depois de dizer isso, Natália se levantou: — Descanse bem, se recupere e cuide bem do bebê, afinal, ele é o seu amuleto.
Ela já havia refletido com clareza.

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