Natália o interrompeu, olhando para Melissa, e declarou:
— Sem problemas, fiquem à vontade. Se vocês estão felizes, tudo bem.
Assistindo àquela cena até esse ponto, Mário Junqueira ergueu a mão e bateu na porta.
Os três se voltaram para olhar.
Sérgio e Melissa ficaram um tanto perplexos.
Sérgio tentou se levantar, mas Melissa o segurou e, chorando, disse:
— Sérgio, eu estou com medo.
A entrada de Mário Junqueira tomou conta do quarto com a aura de uma autoridade silenciosa e pesada.
Natália, fitando Mário, não se mexeu e nem disse palavra alguma.
Ele caminhou e parou de frente para ela, com o único intento de levá-la dali.
Inesperadamente, porém, Natália disse:
— Mário, me empresta um abraço, meu marido tá ocupado.
Mário ficou em choque.
No instante seguinte, aquele corpo de perfume quente e macio atirou-se em seus braços.
Mesmo o movimento tendo sido leve, o impacto foi tamanho que Mário quase deu um passo atrás.
Todo o seu corpo ficou petrificado.
Ele e Natália nunca haviam se abraçado.
Naquele átimo de tempo, a surpresa o desajeitou; seu corpo alto e elegante assumiu uma rigidez absoluta, enquanto seu coração... batia de um jeito e numa rapidez como nunca antes.
Para completar, Natália envolveu-lhe a cintura com ambos os braços.
A espinha de Mário estremeceu levemente.
Com os braços estáticos, ele hesitou, totalmente perdido.
Dois segundos se passaram e, para seu espanto, Natália levantou os braços dele ativamente e os pousou na própria cintura.
Um abraço completo.
Para Natália, era uma retaliação e provocação voltadas a Sérgio.
Mas para Mário Junqueira, era o sonho de incontáveis devaneios virando realidade.
Suas pontas dos dedos tremeram; num instante, envolveram firmemente a cintura fina da mulher, apertando aquele corpo frágil e acolhedor contra o seu com intensidade.
Os dois estavam colados... sem a menor brecha entre eles.

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