Os dois foram para o quarto daquela maneira, sem Natália dizer uma única palavra durante todo o percurso.
Sérgio contraiu o semblante levemente, em desagrado, e também desvencilhou a mão.
O óbvio... a frieza permanecia inabalada.
Tudo por culpa do colar?
Sérgio mirou Natália, analisando as suas reações. Seria possível que estivesse sendo consumida pelos ciúmes?
Se havia algum fundamento, a frustração de Sérgio diluía-se, não fazendo mais tanto peso em sua consciência.
Assim que chegaram à área de dormir, os olhos de Sérgio cravaram-se no lindo estojo repousado no criado-mudo.
A curiosidade acendeu-se, e ele virou-se para Natália:
— O que é aquilo?
Por acaso ela teria escondido uma surpresa para ele?
Sentiu o coração bater de felicidade.
Natália acordou de seu devaneio, relembrando com assombro da caixa no móvel!
Num pulo, sem ao menos hesitar, Sérgio adiantou-se para tomá-la em suas mãos.
— Não é nada! — Natália correu até o criado-mudo e arrastou a caixa antes mesmo que Sérgio pudesse tocá-la, encobrindo a farsa: — É para o evento do mês que vem.
A sua súbita recusa provocou desagrado em Sérgio. Ele cerrou o cenho e perguntou:
— O evento do mês que vem?
— Hum. — Natália concordou, ficando pálida: — O Banquete de Reconhecimento Familiar do Mário com a família Ferreira, no Ano Novo.
Sérgio finalmente entendeu. Afrouxando a gravata com uma mão, ele murmurou um "Hum" impaciente e continuou:
— Vou tomar banho.
Em seguida foi para o banheiro.
Natália só então relaxou o corpo.

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