Mas se ele não se casasse, esse acordo e promessa deixariam de existir.
Por isso, ela deveria estar feliz.
Entretanto, a alegria passava longe, pois sabia que o casamento com uma pessoa completamente desconhecida era resultado do sofrimento extremo de Mário.
Ele estava sendo forçado a cortar os laços de uma forma brutal consigo mesmo.
Ela tinha vontade de gritar com ele: “Vá atrás dela, lute por ela! Por que bancar o cavalheiro agora?”
Para que sofrer tanto assim?
Quando bastava um movimento para lutar pelo amor dela, não importava se era jogo limpo ou sujo, com brigas e truques baixos. Por que se penalizar dessa maneira?
Mas, no fundo, sabia que tudo se resumia às escolhas e decisões de Mário.
Ele simplesmente optou por proteger em vez de possuir.
Para um homem de princípios como ele, uma peça movida era uma peça irrevogável.
Ao que parecia, o caminho já estava trilhado.
A pessoa já estava decidida, e amanhã à noite o contrato seria assinado.
Amanhã à noite chegaria num piscar de olhos.
*
No dia seguinte, Sérgio embarcou de volta para o Brasil.
O voo aterrissou pouco depois das seis da tarde, e do Aeroporto Internacional até a mansão, o trajeto levou até as oito da noite.
Ele ponderou, segurando o telefone na mão, e por fim mandou uma mensagem para Natália: "Acabei de sair do aeroporto, devo chegar às oito."
A resposta de Natália veio num instante, ainda que lacônica e impessoal: "Certo, entendido."
Ao ler aquilo, o pouco de ânimo de Sérgio evaporou, e num impulso irritado, atirou o telefone para o lado.
A frustração borbulhava intensamente dentro dele!
Vontade de quebrar coisas, de gritar, um turbilhão de fúria e indignação se acumulava no peito, sem ter por onde sair.
E então, sem forças, acabou se retraindo e engolindo tudo.
Ele simplesmente não sabia nem entendia o motivo de Natália ter se fechado de tal forma e por que, há mais de um mês, agia com aquela frieza cortante.

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