Natália Nascimento arregalou os olhos.
Mas antes mesmo que o leiloeiro pudesse dizer "dou-lhe uma", Mário Junqueira ergueu a placa mais uma vez, com ar displicente.
Natália ficou completamente sem palavras.
O leiloeiro estava beirando a loucura de tanta emoção, cuspindo enquanto falava:
— Setenta e três! Sete bilhões e trezentos milhões! Sete bilhões e trezentos milhões, dou-lhe uma...
Sérgio Farias também ergueu a placa.
O leiloeiro socou o ar, ainda mais exaltado:
— Oitenta e três! Oito bilhões e trezentos milhões, alguém dá mais? Alguém dá mais?
Mário virou a cabeça e olhou naquela direção.
Viu Natália com a testa franzida e Sérgio com uma expressão ilegível.
Ele curvou os lábios num sorriso de canto e voltou a olhar para a frente.
O leiloeiro perguntou diretamente:
— Sr. Mário, ainda vai cobrir?
Mário não respondeu, parecendo ponderar.
Natália soltou um suspiro de alívio lentamente, e o leiloeiro continuou:
— Oito bilhões e trezentos milhões, dou-lhe uma! Oito bilhões e trezentos milhões, dou-lhe duas...
Antes que ele terminasse a frase, Mário ergueu a placa novamente.
Sentada ao lado, Melissa Mendes já não sabia o que dizer. Apenas mantinha os olhos brilhantes fixos no colar, pensando que aquilo era uma loucura total.
O leiloeiro estava tão empolgado que quase desmaiou:
— Noventa e três! Alguém dá mais?! Sr. Farias?
Àquela altura, todos já haviam percebido.
Mário e Sérgio eram os dois grandes trouxas da noite...
Natália balançou a cabeça para Sérgio.
— Pare com isso.
Mas Sérgio não estava disposto a ceder. Pegou a placa e continuou a dar lances.
Desta vez, porém, usou a placa normal, que aumentava o valor em dez milhões.
Natália estava absolutamente estarrecida. Mesmo assim, se continuassem naquele ritmo, temia que entrassem num ciclo infinito.
Mário também trocou para a placa normal e continuou.
O salão inteiro ficou em alvoroço, com murmúrios por toda parte.
— Qual é a do Sr. Farias e do Sr. Mário? Estão brigando com unhas e dentes por um colar, sem ceder um milímetro?
— Eles não precisam desse colar, né? Por que estão disputando assim?
— Eles não são amigos de infância? Brigaram? Não ouvi falar de nada.
— Mais que amigos, não são parentes?
— Caramba, será que vai chegar a dez bilhões? Eles... estão loucos.

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