— Sim. — Gorete assentiu com franqueza. Seus olhos demonstravam culpa ou talvez remorso, e ela disse a Natália: — Você deveria ser mais compreensiva com a situação da Mel...
Aquilo fez a expressão antes apenas séria de Natália ficar completamente gélida.
Marcelo também levantou os olhos, encarando Gorete com a testa franzida.
Gorete apressou-se em acrescentar: — E agradeço também por sua compreensão! A situação da Mel é especial, mas serão apenas por alguns meses, ainda mais considerando que a criança que ela espera é do Fábio Fontes. O vínculo de vocês com o Fábio sempre foi claro para nós. Acredito que você tratará essa criança como se fosse sua, e com certeza vai ser muito boa para ela...
Ouvindo aquilo, Natália franziu o cenho e a interrompeu: — Já entendi o que a senhora quer dizer.
Gorete pareceu um pouco envergonhada, mas abriu a boca para falar novamente. Mário, com um semblante frio e girando o rosário de sândalo roxo entre os dedos, disse: — Esses agradecimentos não são necessários. O fato de Natália não dizer nada já é uma grande consideração para as nossas famílias. Basta que a senhora entenda isso; não há necessidade de vir até aqui expressar gratidão de propósito!
Gorete ficou ainda mais constrangida. A presença esmagadora de Mário a deixou inquieta na cadeira.
De fato, o momento não era nada adequado. Mas ela também tinha coisas a dizer. Mesmo se sentindo pressionada pela aura de Mário, cerrou os dentes e continuou: — Nati, além de agradecer, a tia ainda tem... um pedido a fazer!
Assim que ela disse isso, a expressão de todos ali pesou ainda mais.
Marcelo franziu a testa, levantou-se muito irritado e exclamou: — Mãe!
Ao dizer isso, ele fez menção de puxá-la pelo braço.
Mário também ordenou diretamente ao garçom: — Acompanhe a nossa convidada até a saída!
O garçom se aproximou.
Gorete, entretanto, logo chamou: — Nati!
Natália continuou em silêncio.
Marcelo tentou puxá-la de novo: — Já chega, mãe, vá para casa.
Gorete ficou contrariada, livrando-se da mão do filho: — O que você está fazendo? Colocando as mãos na própria mãe? Por que não posso falar? Agora eu não posso nem abrir a boca?

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