Sérgio explodia de raiva, enquanto Natália tinha a plena certeza de que ele era louco, e só tentava provocá-la.
Observando o relógio em sua mão, Natália franziu a testa, sentindo um nó no peito.
Aquele relógio...
Foi um presente que ela dera a Sérgio no aniversário dele, no ano passado.
Ela ainda se lembrava nitidamente daquela noite, em que havia preparado um jantar romântico à luz de velas para os dois, e depois eles cortaram o bolo.
Depois, ela cobriu os olhos de Sérgio, disse que tinha um presente para ele, e então abriu as mãos.
Sérgio, porém, não demonstrou alegria nenhuma.
Ela mesma colocou o relógio no pulso dele, agindo de forma piegas e julgando romântico beijar as mãos de Sérgio.
Pensando bem agora, ela se sentia como um cachorrinho abanando o rabo e implorando por afeto.
O nariz de Natália ardeu, e seus olhos ficaram vermelhos.
Ela ergueu a mão e jogou o relógio no gramado ao lado, depois virou-se e foi embora a passos largos.
Sérgio virou a cabeça bem a tempo de vê-la jogar fora o relógio como se fosse lixo.
Ele ficou atônito.
Até mesmo incrédulo.
A cena dela lhe dando aquele relógio voltou à mente de Sérgio, vívida.
Ele sentado no sofá, olhando de cima, enquanto ela se agachava ao lado dele, colocando ela mesma o relógio no pulso dele e beijando as costas da sua mão e o próprio relógio.
O olhar dela transbordava um amor e ternura inescondíveis; era tímido, envergonhado, mas devoto.
E ele, na época, apenas olhou para o relógio, depois para ela, e não disse nem um simples 'obrigado'.
Mas, apesar de não ter agradecido, ele lembrava claramente que naquela noite ele tomou a iniciativa de fazer amor com Natália.
A imagem dela desabrochando como uma flor sob ele também continuava vívida na sua memória.
Em pé no vento gélido, Sérgio sentiu uma dor de cabeça forte. Por que estava pensando naquelas coisas? Por que tinha de pensar naquilo?
Ele não ia abaixar-se para pegar o relógio. Se ela o havia jogado fora, que ficasse lá; não era como se ele não pudesse comprar outro.
Já que ela havia descartado o relógio, não havia motivo para ele se importar com aquilo.
*
Natália saiu e ligou para Mário, perguntando:
— Onde vocês estão? Vou encontrá-los.
Mário passou a localização e Natália assentiu:

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