Sérgio estreou como ator mirim e sempre fora brilhante desde pequeno.
Realmente não parecia o tipo de criança bagunceira que costumava apanhar.
Portanto, se desta vez Isabel foi tão implacável e o puniu com tanta severidade por causa dela, era compreensível que a raiva dele estivesse nas alturas.
Natália respondeu:
— Pense o que quiser. Se quer acreditar que armei com a sua mãe, tudo bem. Você me perguntou se estou feliz e satisfeita. Eu estou muito feliz e bastante satisfeita. Essa resposta te satisfaz?
— Você! — Sérgio sentiu a cabeça prestes a explodir de raiva. — Ótimo, excelente! Você é incrível, sério, muito incrível! Natália, você é fantástica.
— Deve ter sido muito exaustivo fingir por esses dois anos. Fingir docilidade, fingir submissão? Fingir que me amava loucamente?! Foi só acontecer um probleminha que você mostrou quem realmente é! Se não conseguia sustentar esse papel, por que passou dois anos atuando na minha cara?!
Se no último embate, durante a assinatura do acordo, quem desmoronou foi Natália.
Agora era a vez de Sérgio perder o controle.
Natália não entendia exatamente qual era o gatilho para aquele colapso.
Depois de pensar um pouco, de repente, pareceu compreender.
O ponto fraco dele... era ela deixar de ser submissa, deixar de tê-lo como o centro do seu universo.
Natália puxou o ar profundamente e foi direta:
— Você me forçou.
Essas palavras deixaram Sérgio ainda mais enfurecido, a ponto de estourar:
— Eu te forcei? Forcei a quê? Não deixei tudo claro desde o início? Eu fiz alguma coisa com a Melissa? Fui eu que te obriguei a casar comigo? Fui eu que te obriguei a me amar?
— Se queria me amar, que amasse direito, que fosse leal até o fim. Que história é essa de joguinho de desinteresse? Você passou dois anos me enganando por trás de uma máscara e agora nem tenta mais disfarçar! Só porque algo não saiu do seu jeito, porque não foi feito como você queria, você me ameaça com divórcio, se alia aos seus amigos para me atacar e agora se junta à minha mãe para jogar o meu orgulho na lama e pisoteá-lo!
Natália olhou para ele:
— Então você ainda acha que não tem culpa, que todo o erro é meu.
Sérgio devolveu o olhar, ambos faiscando, recusando-se a ceder um milímetro sequer, e ele retrucou:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de um Amor Que Você Matou