Natália ficou sentada observando a TV por um tempo, até pegar o celular e verificar as horas.
Passava um pouco da uma da manhã.
Ela fez uma ligação para Tainá Teixeira.
Nem sabia direito o porquê de estar ligando, talvez fosse...
Vontade de encontrar alguém para conversar, ou apenas de ter alguém para ouvi-la.
Tainá já havia pegado no sono e foi despertada pelo toque. Ao ver que era Natália...
Chegou a sentir uma pontada de culpa por um segundo.
Porém, de repente, sentiu-se preocupada, temendo que algo tivesse acontecido com ela.
Afinal de contas, Natália ainda carregava um bebê no ventre. Será que teria arrumado briga com o Sérgio logo após voltar para casa?
Tainá se apressou em atender:
— O que houve, meu bem?
A voz de Natália soava plácida, como se narrasse uma história:
— Eu bati no Sérgio.
— O quê? — Tainá assustou-se tanto que por pouco não caiu da cama, dando um pulo e sentando-se ereta. — Caramba, puta que pariu, como você bateu? Arrancou o cabelo dele até ficar careca? Deixou marca de unha na cara? Já devia ter feito isso antes! Rápido, me conta tudo!
Tainá estava muito emocionada e empolgada, mas logo após terminar de falar, acrescentou:
— Aquele desgraçado não revidou, né? Ele te empurrou ou te xingou?
— Não. — Natália abaixou os olhos. — Não fez nada. Eu dei dois tapas na cara dele e o fiz se ajoelhar.
— Ah? — Tainá surpreendeu-se ainda mais, chegando a levantar e pegar um cigarro para se acalmar.
Ainda abismada, prosseguiu:
— Dois tapas? E de joelhos? Ele... Ele não se ajoelhou mesmo, né? Vocês fizeram as pazes?? Ele ficou de joelhos te implorando pra voltar?
Ouvindo aquilo, Natália deu um sorriso amargo:
— Não. Foi a troca que fizemos para não nos divorciarmos temporariamente.
Tainá arregalou ainda mais os olhos:
— Ele não quer se divorciar de você? Caralho, que sadomasoquista! Realmente é muito louco!
Por mais que da última vez Tainá estivesse berrando que ia dar uma surra no Sérgio...

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