Ela sempre fora gentil, tímida, com um cuidado minucioso para agradá-lo.
Como foi que, de repente...
Tinha se tornado aquilo?
Natália realmente não conseguiu se segurar.
Nem ela sabia por que havia explodido daquela forma.
Ela só queria que Sérgio assinasse tudo de uma vez por todas; mesmo que sentisse falta, que seu coração doesse, que sofresse, aquilo seria problema dela, e ela estava disposta a suportar. Digeriria tudo aos poucos, deixando o tempo soprar para longe a dor e os dez anos de amor.
Se Sérgio assinasse, eles não teriam mais nada a ver um com o outro.
Por mais que doesse agora, a dor iria desvanecer com o tempo.
Mas ele escolheu brincar com ela.
Como se brincasse com um cãozinho ou um palhaço, rindo às suas custas.
Assistindo-a chorar e desmoronar à sua frente.
Será que ele queria que ela implorasse para que não assinasse?
Queria ver o quão desesperada ela ficaria ao perdê-lo?
Amarrando-a àquela relação agonizante, vê-la se debater o deixava realmente feliz?
Ela tinha dificuldade em desapegar, sim, mas ainda queria o divórcio.
Tudo o que queria era que Sérgio assinasse sem rodeios, permitindo que ela fosse embora.
Mas agora...
Com o rosto banhado em lágrimas, Natália encarava Sérgio, o peito subindo e descendo devido à agitação.
Com aquela súbita onda de emoções, sentiu um desconforto no baixo ventre.
Uma leve pontada de dor, uma sensação de inchaço.
Natália sentiu-se desmoronar ainda mais.
Não sabia exatamente o motivo de seu repentino ataque de fúria.

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