Antes que Natália Nascimento pudesse dizer algo, Tainá Teixeira disparou:
— Como diz o velho ditado, irmãs são como membros do corpo, homens são como roupas. Pode levá-lo à vontade.
Natália deu risada, e a tensão angustiante de antes se dissipou um pouco, fazendo até o seu baixo ventre se sentir melhor.
Natália disse:
— Está bem, não comece a falar bobagens também.
Tainá manteve a expressão séria:
— Estou falando sério, de qualquer forma, já me cansei.
Natália ficou sem palavras por um momento e disse:
— Que absurdo é esse? Você enlouqueceu?
Tainá deu uma gargalhada curta:
— Nenhum de nós é muito normal.
Natália esfregou as têmporas; parecia que isso era mesmo verdade.
Nesse momento, Mário Junqueira interveio:
— Chega, vão dormir. Amanhã teremos que acordar cedo.
Mencionando isso, o humor de todos pareceu afundar novamente.
Natália murmurou:
— Hum, boa noite.
Natália ia desligar a ligação, mas Mário pediu:
— Não desligue. Vamos dormir assim.
Natália indagou, confusa:
— Como é?
Mário explicou:
— Imagino que você também vai dormir sozinha. Talvez seja melhor não desligar.
Natália ficou em silêncio por um instante, mas sentiu o coração aquecido.
Tainá concordou:
— Isso, não desligue.
Natália respondeu:
— Está bem. Mas amanhã de manhã não venham me buscar.
Mário e Tainá não disseram mais nada.
Sem saber se aquilo era uma concordância tácita ou outra coisa, Natália também não perguntou. Após um momento de silêncio, colocou o celular de lado.
Porém, com o apoio dos amigos e com aquela companhia silenciosa "alternativa", Natália sentiu-se muito mais tranquila.
Logo a sonolência a invadiu, e Natália adormeceu.
Do outro lado da linha.

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