Terminando a frase, lutou bravamente, as chamas da raiva consumindo-a.
Sérgio estreitou os olhos, recusando-se a afrouxar os braços, e, pelo contrário...
Abraçou-a com ainda mais força, sua voz carregada de insatisfação: — O que estou fazendo? O que acha que estou fazendo? Natália, somos casados, que tipo de reação é essa?
Para ele, a rejeição de Natália era inaceitável.
Em sua mente, já que ele tomara a iniciativa...
Para demonstrar afeto.
Como ela se atrevia... a tratá-lo como se fosse um aproveitador?
A raiva de Natália jorrou sem controle: — Vou dizer mais uma vez: solte-me!
Emburrado, Sérgio sentiu-se encurralado sem saber como agir.
Após um segundo de silêncio, ele disparou: — Chega, pare de fazer cena.
E, imediatamente a seguir, forçou seu corpo sobre o dela, tentando beijá-la.
Sob a influência do álcool, a verdade era que... seu desejo estava aceso.
Natália usou as mãos para barrá-lo contra o peito. Seus olhos queimavam de ira e brilhavam com lágrimas reprimidas ao gritar: — Sérgio, saia de cima de mim!
Diante de tamanha oposição, Sérgio também perdeu o encanto repentinamente.
Mas a irritação opressiva sufocava-o impiedosamente.
Ele a encarou por algum tempo antes de, afinal, recuar e saltar da cama sem cerimônias.
Natália sentou-se, abraçando os cobertores para proteger-se, e disparou: — O que andou fazendo nestes quatro dias? Esteve acompanhando a Melissa Mendes?
Em pé ao lado da cama, Sérgio sentia-se um tanto patético.
Principalmente porque estava com as roupas desalinhadas e acabara de ser humilhado por uma rejeição.
Inclinando a cabeça para o lado e exibindo um rosto trancado, desdenhou: — Só se lembrou de perguntar agora?
Os olhos de Natália cravados nele não perdoaram: — Responda, onde esteve?
Sentindo as entranhas fervilharem, Sérgio puxou o colarinho com força: — Você acreditaria se eu contasse? Não tirou as suas próprias conclusões? Então pense o que quiser!
Lágrimas escaparam dos olhos de Natália enquanto soltava uma risada amarga, concordando com a cabeça: — Tudo bem. Dê o fora! Saia daqui agora mesmo!
Sérgio sentiu-se engasgado com uma raiva insuportável e inútil.
Havia dado o primeiro passo para a paz, tomado a iniciativa para a intimidade.
E, para piorar, além de ser rechaçado de forma selvagem, ainda fora enxotado.
Observou as feições dela, notou suas lágrimas escorrendo, os cabelos negros espalhados em completa desordem e a intensidade de sua raiva.
Sérgio enfiou uma das mãos no bolso da calça e puxou o ar, alertando: — Natália, não cruze a linha. Minha tolerância tem um limite.
— Eu mandei você dar o fora! — retrucou Natália, enxugando as lágrimas rudemente.
Derrotado repetidas vezes e irado ao extremo, Sérgio virou-se e foi embora, batendo a porta com estrondo.

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