Sérgio massageou o espaço entre as sobrancelhas, serviu-se de uma taça e bebeu sozinho.
A lembrança daquele vinho só o deixou ainda mais descontente.
Quando Natália conseguira trazê-lo, estava radiante, incrivelmente feliz, exibindo-o a ele como se fosse um tesouro inestimável.
Tudo para... fazê-lo sorrir.
Ao pensar naquilo.
Sérgio ainda se recordava da cena em que Natália, com um sorriso esplendoroso no rosto, ofertara o vinho como uma relíquia...
Naquela época, ele também chegara tarde em casa, e Natália aguardara pacientemente no salão principal.
Assim que o vira, ela se adiantara para ajudá-lo com o casaco e, segurando sua mão, sussurrara com ares de mistério: — Tenho algo incrível para te mostrar, você vai adorar!
Em seguida, arrastara-o para sentar no sofá do salão.
Fora buscar a garrafa de vinho, segurando-a com reverência, e se ajoelhara parcialmente à sua frente, entregando-a com o rosto transbordando de alegria: — Aqui! O único exemplar exclusivo do mundo, e eu o consegui! Feliz?
Naquele momento, ele de fato se surpreendera, pois todos sabiam o preço exorbitante que Mário Junqueira pagara pela garrafa.
O leilão fora alvo de noticiários.
E aquele vinho que valia mais de um bilhão fora exageradamente enfeitado por ela com um grande laço vermelho e um adesivo de coração.
Apenas olhar para aquela decoração espalhafatosa lhe causou uma enxaqueca.
— Quanto custou? — ele lhe perguntara.
— O lance inicial! Apenas trezentos milhões — Natália respondera com orgulho.
Para ser franco, era uma verdadeira pechincha.
E após a revelação, ela acrescentara sorrindo: — Paguei com o meu próprio dinheiro.
Naquele momento, ele...
Apenas observou o lindo rosto dela.
Em silêncio.
— É o meu presente para você. Está feliz, Sérgio? — ela insistira.
Ele se lembrava...
Que nem sequer chegara a responder se estava feliz ou não.
Apenas proferira: — Você já tem tantas garrafas, por que comprar mais uma?
Lembrava-se também de que, ao ouvir aquilo, o sorriso de Natália congelara por uma fração de segundo.
Mas rapidamente retomara o ânimo, justificando: — É que eu sei que você gosta.
Dito isso, levantara-se e levara a garrafa até a estante, acomodando-a perfeitamente no centro.
Devido a essa localização central, a garrafa não estava posicionada em um lugar alto.

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