Natália compreendeu a situação na hora, e sua expressão escureceu.
Ela não disse uma palavra.
— Eu liguei para o jovem mestre, e ele me disse que estava atolado de trabalho na empresa. Imagino que... deve haver alguma demanda importante tomando o tempo dele — Dona Maria gaguejou, constrangida.
Natália permaneceu em silêncio e tirou o casaco por completo, sem responder à governanta.
Apenas dirigiu-se em direção à escada.
— Senhora... não leve isso para o coração. O jovem mestre não é do tipo que se perde por aí. Ele sempre foi muito sensato e responsável. A senhora o conhece, ele... — suspirando intimamente, Dona Maria correu atrás dela para tentar explicar.
— Já entendi — Natália a interrompeu asperamente.
Dito isso, continuou a subir, sem a menor vontade de continuar ouvindo.
Sem ter o que fazer, Dona Maria viu-se num beco sem saída, em um verdadeiro dilema.
Olhando para as costas de Natália, achou que ela parecia tão solitária e digna de pena.
Na noite anterior, Dona Maria realmente havia ligado para Sérgio Farias. Ele dissera que estava atarefado no escritório e desligara logo em seguida.
No entanto, no exato momento em que a chamada era encerrada, ela ouviu algo do outro lado da linha...
A voz de uma mulher.
Não conseguiu distinguir exatamente o que a mulher falara, mas parecia...
Que estava chamando Sérgio para tomar sopa.
Dona Maria refletira por um longo tempo antes de decidir ligar para Isabel Horta.
Ao telefone, Isabel parecia exausta e limitou-se a dizer que estava ciente, sem acrescentar mais nada.
Isabel adorava Natália e sempre a tratara com muito carinho. Fora ela, inclusive, quem exigira no passado que Sérgio assumisse a responsabilidade por Natália.
Mas agora, diante daquela situação, Isabel... simplesmente não se pronunciara.
Não se sabia se ela também estava arrependida.
Arrependida de sua decisão de outrora.
Aquela "imposição" do passado germinara em frutos amargos no presente. Não se sabia se Isabel era incapaz de encarar Natália, ou se... finalmente passara a dar a devida atenção aos sentimentos de seu filho.
Reconhecendo que forçar a natureza das coisas... nunca traria felicidade genuína.
Fosse como fosse, Isabel optara pela omissão.
Talvez estivesse planejando fechar os olhos para o problema mais uma vez.
Com isso, a situação de Natália parecia... ainda mais espinhosa.
Naquela casa, ela se via completamente desamparada e isolada.
A sogra que a estimava escolhera o silêncio, e o marido... já estava há quatro dias inteiros sem voltar para casa.
No passado, Sérgio não agia assim.
Ele jamais fizera algo do tipo.

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