Ah, o coração humano.
É incrivelmente ganancioso.
Talvez o que ela não tivesse previsto fosse a crise matrimonial de Natália.
Nos planos dela, o sentimento de Natália por Sérgio Farias garantiria... que os dois seguissem juntos até o fim.
Quem poderia adivinhar que Fábio Fontes morreria e que Melissa Mendes retornaria?
Pelo que ela tinha imaginado, Natália e Sérgio seguiriam firmes em seu relacionamento.
E ela e Mário também continuariam tranquilamente em seu relacionamento por contrato.
A vida inteira era longa demais, não era?
Ela sentia que tinha esperança.
Então.
Tainá Teixeira!
Era você quem estava manipulando as coisas desde o início!
Você estava manipulando Natália!
E manipulando Mário!
Não é verdade?
Então, qual o seu direito de ficar louca de ciúmes?
Qual o seu direito de chorar?
Que moral você tem para desabar só porque ele não a ama?
Tainá não conseguiu articular uma única sílaba, com a mente fervilhando em meio ao caos.
Ela se desprezava; sentia nojo de si mesma.
Mas ainda assim não conseguia sufocar a ânsia de ser amada por ele, o desejo obsessivo de ser escolhida por um homem como ele.
Só essa pequena ganância.
Foi o suficiente para reduzi-la a cinzas.
Transformando-a em uma palhaça patética.
Mesmo assim, ela continuava inconformada.
Ela não queria aceitar.
Finalmente, Tainá abriu a boca. Sua voz soou rouca e embargada ao dizer: — Eu admito. Admito o que combinamos lá no começo. Mas, Mário... o que eu quero saber é, eu fui usada?
A resposta óbvia seria sim.
Afinal, a taxa por "levar a culpa" a cada vez não deixava de ser uma forma de uso.
Mas...
A própria Tainá sabia muito bem.
Esse uso.
Também foi, essencialmente, autorizado por ela mesma.
Já que era um escudo, então significava que seria "usada".

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