Não sabia quanto tempo havia passado na Sala de Meditação.
Mário finalmente saiu, impregnado por um forte e decadente cheiro de cigarro, e entrou no banheiro.
Ele mergulhou na água; seu rosto transparecia dor, ainda corroído pela culpa.
Ele julgava o seu desejo de se aproveitar da fraqueza dela como o mais vil dos pensamentos.
No entanto, ele ignorava o fato de ser também o homem que reprimira todos os seus desejos unicamente por medo de ver o pavor nos olhos dela.
Ele continuava sendo o homem que, ao longo de muitos anos, protegia suas memórias e carregava uma cruz, trilhando um caminho muito mais sofrido...
Ele enxergava apenas Natália e não a si mesmo...
A água límpida lavou o estado lamentável de Mário, a sua vulnerabilidade e os seus desejos "sujos".
Muito tempo depois.
Repousando na banheira, Mário conseguiu, lentamente, resgatar a sua calma.
Quando Natália despertou, a primeira coisa que viu foi um par de pernas.
Com a mente ainda enevoada, ergueu o olhar e deparou-se com Caio Fonseca.
— Eu caí no sono? — perguntou Natália, esfregando os olhos.
— Sim. — Caio baixou a cabeça.
Natália ergueu-se, apoiando-se, e olhou ao redor:
— Estou sozinha?
— Sim. — Caio respondeu. — A Sra. Teixeira, o Sr. Mendes e os outros foram andar a cavalo; o Sr. Mário... deve ter algum assunto de trabalho para resolver. A senhora gostaria de ir andar a cavalo?
— Ah, eu não vou não. — Natália balançou a cabeça negativamente.
Exatamente nesse instante, Mário se aproximou.
Com o olhar baixo e ajustando os punhos da camisa, ele sentou-se na cadeira ao lado de Natália, com sua expressão habitual. Levantando as pálpebras e com um leve sorriso nos lábios, disse:
— Acordou.
Natália olhou para ele, admirada de que o rapaz fosse realmente um homem estupidamente bonito.
Especialmente ali sentado à beira do lago, ele compunha um cenário perfeito.
Geralmente, as pessoas são valorizadas pela paisagem, mas no caso dele, era ele quem realçava a beleza do lugar.
— Hum. — Natália assentiu e levantou o pulso para olhar o relógio. — Quanto tempo eu dormi?
— Não muito. — Mário a observou atentamente. — Só duas horas.
Natália ergueu uma sobrancelha, levou a mão à boca e bocejou:
— Onde você estava? Foi andar a cavalo também ou foi resolver negócios? Até trocou de roupa?
Após bocejar, ela sorriu para ele:
— Todo vaidoso.
Mário apenas riu.
Ele pareceu um pouco encabulado por ser alvo de brincadeira.
Natália, com uma sobrancelha levantada, pensou: "Quem diria que o Sr. Junqueira fica tímido! Normalmente ele tem a língua tão venenosa como se comesse arsênico."
Ela o examinou de cima a baixo e provocou novamente:
— Trocar de roupa duas vezes num dia... quer matar a Tainá de amores?
Mário lançou-lhe um olhar:

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