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Cinzas de um Amor Que Você Matou romance Capítulo 175

Não sabia quanto tempo havia passado na Sala de Meditação.

Mário finalmente saiu, impregnado por um forte e decadente cheiro de cigarro, e entrou no banheiro.

Ele mergulhou na água; seu rosto transparecia dor, ainda corroído pela culpa.

Ele julgava o seu desejo de se aproveitar da fraqueza dela como o mais vil dos pensamentos.

No entanto, ele ignorava o fato de ser também o homem que reprimira todos os seus desejos unicamente por medo de ver o pavor nos olhos dela.

Ele continuava sendo o homem que, ao longo de muitos anos, protegia suas memórias e carregava uma cruz, trilhando um caminho muito mais sofrido...

Ele enxergava apenas Natália e não a si mesmo...

A água límpida lavou o estado lamentável de Mário, a sua vulnerabilidade e os seus desejos "sujos".

Muito tempo depois.

Repousando na banheira, Mário conseguiu, lentamente, resgatar a sua calma.

Quando Natália despertou, a primeira coisa que viu foi um par de pernas.

Com a mente ainda enevoada, ergueu o olhar e deparou-se com Caio Fonseca.

— Eu caí no sono? — perguntou Natália, esfregando os olhos.

— Sim. — Caio baixou a cabeça.

Natália ergueu-se, apoiando-se, e olhou ao redor:

— Estou sozinha?

— Sim. — Caio respondeu. — A Sra. Teixeira, o Sr. Mendes e os outros foram andar a cavalo; o Sr. Mário... deve ter algum assunto de trabalho para resolver. A senhora gostaria de ir andar a cavalo?

— Ah, eu não vou não. — Natália balançou a cabeça negativamente.

Exatamente nesse instante, Mário se aproximou.

Com o olhar baixo e ajustando os punhos da camisa, ele sentou-se na cadeira ao lado de Natália, com sua expressão habitual. Levantando as pálpebras e com um leve sorriso nos lábios, disse:

— Acordou.

Natália olhou para ele, admirada de que o rapaz fosse realmente um homem estupidamente bonito.

Especialmente ali sentado à beira do lago, ele compunha um cenário perfeito.

Geralmente, as pessoas são valorizadas pela paisagem, mas no caso dele, era ele quem realçava a beleza do lugar.

— Hum. — Natália assentiu e levantou o pulso para olhar o relógio. — Quanto tempo eu dormi?

— Não muito. — Mário a observou atentamente. — Só duas horas.

Natália ergueu uma sobrancelha, levou a mão à boca e bocejou:

— Onde você estava? Foi andar a cavalo também ou foi resolver negócios? Até trocou de roupa?

Após bocejar, ela sorriu para ele:

— Todo vaidoso.

Mário apenas riu.

Ele pareceu um pouco encabulado por ser alvo de brincadeira.

Natália, com uma sobrancelha levantada, pensou: "Quem diria que o Sr. Junqueira fica tímido! Normalmente ele tem a língua tão venenosa como se comesse arsênico."

Ela o examinou de cima a baixo e provocou novamente:

— Trocar de roupa duas vezes num dia... quer matar a Tainá de amores?

Mário lançou-lhe um olhar:

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