Mas o pior de tudo era...
Os dois dentro do carro não tinham a menor ideia de que os outros já haviam descido de seus veículos, um após o outro.
E presenciaram exatamente aquela cena...
Pessoas sem importância no máximo dariam uma olhada e pensariam: Ah, o Sr. Farias fez as pazes com a esposa.
Mas, do lado de fora do carro, também estavam Mário e Tainá...
No momento em que viu aquilo, Tainá virou o olhar quase que instintivamente para Mário.
Mário pareceu paralisar por um segundo antes de começar a procurar o maço de cigarros.
Ao pegá-lo, tirou um cigarro, virou o rosto e o acendeu.
Em meio à névoa de fumaça, semicerrou os olhos e observou o casal no carro.
Tainá sentia o coração bater descompassado, feito uma metralhadora; realmente não conseguia olhar para aquilo.
Meu Deus.
Que tipo de cenário infernal era aquele?
Tainá não sabia o que dizer, apenas olhava para Mário, observando-o fumar calmamente enquanto assistia à cena.
E notou que os cantos dos lábios dele formavam um sorriso cínico, que mal parecia um sorriso.
O olhar dele também passou da tranquilidade para um escrutínio altivo, de cima para baixo.
— Vamos. — disse Tainá.
Talvez aquela fosse a melhor saída.
Ver e ir embora.
Evitar se meter onde não era chamada.
— Qual é a pressa? — retrucou Mário.
Tainá arregalou os olhos. Sem pressa?
É sério, sem pressa?
Ela achava que... deveria haver bastante pressa, na verdade!
Refletindo um pouco sobre a situação, ela de repente entendeu.
Ah.
Ele não ia fugir derrotado e desesperado.
Na verdade... ele estava realizando uma cirurgia em si mesmo, sentenciando-se?
Se o beijo dos dois era como uma faca para ele...
Muito bem, então que cortasse rápido, fundo, e deixasse sangrar bastante.
Morrer logo para renascer mais cedo.
Era isso?
— E o que a gente faz com isso? — perguntou Tainá, sem rodeios, ao pensar naquilo.
— Fazer o quê? Chamar a polícia? — Mário manteve o olhar fixo na janela do carro.
Tainá ficou totalmente sem palavras.
E fazia sentido.

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