Natália abaixou o olhar, permanecendo em silêncio.
O pulso ainda sendo agarrado por Sérgio, ela sequer ousou se mover.
Eram sinais de que o pior finalmente passara.
Tinha consciência de que Sérgio ter vindo ajudá-la com a bolsa, permanecido junto dela e imposto que partisse no seu veículo não representava uma transição extraordinária de sua parte.
Tratava-se, essencialmente, da necessidade de os esposos aparentarem decência no ambiente externo.
A paz oferecida por Natália foi um lenitivo aos tormentos de Sérgio; afinal, por muito que ela insistisse em chateá-lo, ainda assim... preservava uma noção de limiar.
A esse pensamento, ele sondou a presença de Tainá entre a multidão no outro extremo, chegando à conclusão de que o feitio de Natália se sobrepunha vastamente ao de Tainá.
Aborrecida, Tainá arremessou-lhe uma olhadela dura e, em seguida, volveu os olhos, afastando rapidamente o escrutínio de si.
Sérgio retraiu a vista, tomando consciência de que as pontas de seus dedos ainda cerravam o pulso da esposa, num gesto severo.
Imediatamente, afrouxou o agarre.
Solta a pressão, Natália alçou a mão, repousando as pupilas no vazio, enquanto massageava o pulso fragilizado.
Percebeu que as marcas no delicado pulso dela haviam ganhado contornos rubros devido à brutalidade do aperto.
Enquanto a olhava esfregar a pele castigada com expressão fechada e emudeção absoluta, brotou uma sensação insólita de misericórdia em seu peito.
Seu olhar perdeu vivacidade.
Anteriormente, ela era muito distinta dessa visão.
Se antes o fizesse, ela curvaria os cantos da boca e repousaria timidamente a mão entre as dele, dizendo num tom esperançoso, digno de compaixão.
— Sérgio, pode massagear um pouco?
Por muito que tal o exasperasse e achasse as atitudes dela uma pieguice, ele estaria à mercê daquele aspecto triste e da bela fisionomia e concederia a solicitação.
A mais insignificante carícia bastaria para incutir um alvoroço imenso e a satisfação nela.
Hoje em dia… chegava ao ponto de menosprezá-lo?!
Pois bem!
Teria de ver por quanto tempo mais ela conservaria tal obstinação!
Não muito mais tarde, todos já se alinhavam, aguardando para zarpar.
A família Ferreira com Melissa marchavam à frente; de entre a mole, acompanhando a dianteira, posicionavam-se Natália e Sérgio de modo conjunto.
Cada qual, seguidamente, retomou o rumo nas viaturas correspondentes.
O veículo funerário guiava, sendo secundado vagarosamente pelo restante do cortejo motorizado.
Devido à morosidade das engrenagens daquela marcha, previu-se que o percurso habitual de uma hora alcançaria contornos mais alongados.

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