Marcelo se calou; de qualquer modo, não era apropriado que ele dissesse muito naquele momento.
*
No dia seguinte.
Era o dia do funeral de Fábio, o dia em que ele descansaria em paz.
Mário havia dito que a partida seria às seis da manhã, então Natália configurou o alarme para as quatro da madrugada.
Levantou-se, fez sua higiene matinal e tomou café da manhã.
Após o café, Natália se viu diante de um pequeno dilema.
A roupa para aquele dia, sem dúvida, tinha de ser um traje formal preto.
No entanto, ela não possuía sapatos baixos ou tênis pretos que combinassem.
Uma combinação inadequada pareceria ridícula e poderia até transmitir uma certa falta de respeito.
Ela estava exausta no dia anterior e, após se despedir de Fernanda e Tainá, acabou esquecendo de comprar sapatos com antecedência.
Àquela hora, não havia mais o que fazer.
Natália só pôde escolher um par de saltos pretos de altura média.
Por sorte, eram saltos grossos.
Ela imaginou que não seria um grande problema.
Quando tudo estava pronto, ela chamou o motorista da família e optou por sair em um Bentley Preto.
Assim que entrou no carro, seu celular tocou.
Ao pegar o aparelho, viu que, surpreendentemente, era Sérgio ligando.
Natália franziu a testa, mas, no fim, apertou o botão para atender.
Ela permaneceu em silêncio.
Sérgio foi o primeiro a falar.
— Já acordou?
Ele parecia um tanto surpreso, talvez esperando que ela ainda estivesse dormindo, já que não a havia avisado sobre o horário.
Natália indagou.
— Algum problema?
Sérgio franziu o cenho; a frieza no tom dela o desagradou.
Ele não havia pedido a Dona Maria que preparasse a sopa de pera para ela?
Sérgio conteve suas emoções e prosseguiu.
— Hoje é o funeral do Fábio...
— Eu sei. — Natália o interrompeu. — Estou de saída, chego em breve.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de um Amor Que Você Matou