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Cinzas de um Amor Que Você Matou romance Capítulo 128

Quanto mais ela falava, mais injustiçada se sentia; a injustiça tomava conta de si, deixando-a à beira de um colapso.

Os sentimentos de Sérgio se emaranhavam em uma complexidade sem fim, e ele sentia... certa angústia no coração.

Ele se lembrou de quando, após o acidente daquele ano, foi confrontado com o dever de assumir a responsabilidade sobre Natália. Isabel Horta, na ocasião, afirmara que, considerando o que ocorrera, o matrimônio seria imperativo.

Foi Melissa quem foi até ele para lhe dizer que não precisava se martirizar, pois não queria vê-lo se tornar um canalha sem compromisso.

E assim, Melissa deu as costas para o passado e se casou com Fábio Fontes.

— Não chore — falou Sérgio por fim, mas a sua voz emergiu inexplicavelmente impregnada de uma aspereza melancólica.

Só então percebeu de repente... as pessoas ficam roucas quando estão angustiadas?

Contudo, não era o momento para divagações. Melissa soluçava sem conseguir se conter, proferindo pedidos de desculpa repetidos:

— Me desculpa, me desculpa... me desculpa.

Sérgio suspirou profundamente:

— Está bem, está bem. Não chore, nem peça desculpas. A culpa não é sua. É... minha culpa.

Era a dívida dele.

Era ele... que precisava pagá-la.

— Não, não, não, é minha culpa — contestou Melissa, que, quiçá envolta pela tempestade de emoções, pousou a fronte nos ombros de Sérgio, banhada em lágrimas.

Sérgio paralisou, no entanto, foi incapaz de repeli-la.

— Chega, você não pode chorar mais. — recomendou Sérgio: — Cuidado com o bebê.

Foi essa advertência, quem sabe, que fez com que Melissa cessasse repentinamente o seu pranto.

— Já é tarde — declarou Sérgio, segurando-a pelos braços para afastá-la: — Você deve descansar bem, pensando no bebê acima de tudo.

Melissa, submissa, apesar das lágrimas teimosas, acenou:

— Tá bom.

Sérgio propôs:

— Eu levo você de volta.

Dito isso, ele se levantou.

Melissa, limpando os olhos orvalhados, seguiu o gesto.

Na soleira do quarto, Melissa ainda tinha os olhos vermelhos. Ela olhou para Sérgio e, com cautela e um tom brando, suplicou:

— Sérgio, você... poderia ficar comigo?

O cenho de Sérgio cerrou-se de imediato, em notória estranheza diante daquela proposta.

— Sinto medo e não consigo dormir — a voz de Melissa emudeceu ainda mais: — Será que você poderia apenas conversar comigo, ou até contar uma história para eu dormir?

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