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Cinzas de Amor e Glória romance Capítulo 741

Toc, toc, toc.

Alguém bateu à porta.

Bento Paz estava do lado de fora com um copo de leite quente.

— Pai.

— Tome um pouco de leite, vai ajudar a dormir. — Bento Paz colocou o leite ao lado dela.

Maria Gomes olhou para o leite e depois para a tela do computador.

Hesitou.

Deveria contar a Bento Paz?

Bento Paz achou que ela estava trabalhando.

— Você está ocupada, o papai não vai incomodar. — Bento Paz virou-se para sair.

Maria Gomes segurou o copo morno, lutou consigo mesma por alguns segundos e o chamou.

Ela invadira o sistema apenas para entender o esquema entre a cuidadora e Márcia Paz.

Não esperava ver uma cena tão terrível.

Afinal, a vovó Paz era a mãe biológica de Bento Paz.

Bento Paz deveria saber disso.

O que ele faria a respeito, cabia a ele decidir.

Assim como ele sempre respeitava as decisões dela.

— Mais alguma coisa, Maria?

— Pai, venha aqui.

Maria Gomes levantou-se, segurando Lana com uma mão e o leite com a outra, dando espaço.

Bento Paz aproximou-se confuso e sentou-se.

Só então percebeu que a tela do computador de Maria Gomes mostrava o quarto da vovó Paz.

Na imagem, a cuidadora limpava o corpo da vovó Paz com brutalidade.

Não só isso, ela batia na idosa.

— Você pesa como uma porca! Se mexa! Se mexa!

— Paralisia é um problema! Igual a uma porca morta!

— Estou avisando, não cague mais.

— Se cagar de novo, não vou limpar.

No vídeo, a vovó Paz grunhia.

A cuidadora olhou para o rosto dela.

Ainda não tinha limpado o rosto.

Ela pegou o pano usado para limpar o corpo e esfregou diretamente no rosto da vovó Paz.

Bento Paz socou a mesa, furioso.

— Isso é demais!

Essa era a magia dos laços de sangue.

Mesmo que Bento Paz estivesse magoado e não pudesse perdoar as ações anteriores da mãe.

Ver a própria mãe ser abusada daquela forma despertava uma fúria incontrolável.

Bento Paz ligou imediatamente para os irmãos, Ronaldo Paz e Wellington Paz.

Ao desligar, Bento Paz olhou para Maria Gomes.

Aquele sentimento depressivo de antes invadiu seu coração novamente.

Maria Gomes sentiu um medo repentino.

Medo de ficar sozinha naquele quarto quieto e vazio.

Felizmente, tinha Lana.

Maria Gomes abraçou Lana com força.

Inconscientemente, apertou demais.

Lana, talvez sentindo dor, miou alto.

Saltou de seus braços e fugiu.

Os braços de Maria Gomes ficaram vazios.

O silêncio do quarto era perturbador.

Sua respiração acelerou sem que percebesse.

Ela percebeu que não podia ficar ociosa.

Pegou o celular na mesa e ligou rapidamente para Giovana Silva.

— Veterana, arrume algum trabalho para mim, rápido. — disse Maria Gomes com urgência.

Giovana Silva, na Cidade R, acabara de sair do banho.

Vestia um pijama de seda.

Foi até a janela, olhou para a noite e sorriu com resignação.

— A essa hora da noite? Não seja tão exigente consigo mesma.

— Você acabou de sair do hospital, não pode descansar um pouco?

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