A idosa era perspicaz.
Percebera há muito tempo que sua neta mais velha tinha ressentimentos contra Maria Gomes devido à morte de Ivan Cardoso.
Mas a morte de Ivan Cardoso não podia ser imputada a Maria.
Se havia culpa, era daquele maldito país M.
Mereciam perder o presidente.
Por isso, ela pediu que Mariana Cardoso acompanhasse Maria Gomes.
Quem sabe, com mais contato, o rancor e o distanciamento desaparecessem.
As duas saíram do quarto em silêncio.
Atravessaram o corredor movimentado e entraram no elevador lotado.
Mariana Cardoso perguntou:
— Maria Gomes, o que você quer de verdade?
— Só quero ajudar Ivan Cardoso a cuidar da família com a qual ele se importava.
Mariana Cardoso soltou um riso frio.
— Com que autoridade você cuida de nós?
Maria Gomes manteve o tom calmo:
— Companheira de batalha.
— Se eu tivesse morrido e ele tivesse sobrevivido, acredito que ele faria o mesmo por mim.
— Cuidaria da minha família.
Ivan Cardoso era esse tipo de pessoa.
Ao longo dos anos, ele sempre cuidou das famílias dos companheiros que se sacrificaram.
— Diretora Mariana, você tem informações sobre as famílias dos soldados que ele ajudava?
— Você quer continuar cuidando deles por ele?
— Sim.
— Não sei.
Maria Gomes não tinha muitas esperanças, perguntou apenas por desencargo.
Não importava se Mariana Cardoso não soubesse.
Ela poderia perguntar aos superiores de Ivan Cardoso; eles certamente saberiam.
Não disseram mais nada.
Mariana Cardoso observou Maria Gomes entrar no carro e virou as costas sem dizer uma palavra.
...
Maria Gomes voltou para sua mansão na Cidade Capital.
Assim que entrou, sentiu um aroma delicioso.
Bento Paz estava em casa preparando sopa.
— Chegou? Lave as mãos e venha comer.
A mansão fora limpa por Bento Paz.
Lana corria pela sala de estar e de jantar.
Ficar no hospital com Maria devia ter sido um sacrifício para a gata.
Bento Paz já havia montado a casa da gata e instalado os arranhadores.
— Que fedor! Você não consegue se segurar?
— Você é adulta, não é retardada nem criança.
— Cagada desse jeito, fedida e suja.
— Não admira que seus filhos não venham te ver.
— Tão suja e fedorenta, quem gostaria de ver isso?
— Ficar um segundo neste quarto deixa qualquer um cheirando a merda.
— Madame de família rica doente vive pior que uma velha comum.
— Essa tal senhora da alta sociedade não passa de uma piada.
— Está olhando o quê? Não gostou?
— Se não gostou, tenha a capacidade de falar.
— Só sabe grunhir. Sabe o que você parece agora?
— Uma louca.
— Ainda está olhando?
A cuidadora pegou o pano sujo e deu um tapa na cara da vovó Paz.
— Olhe para mim agora! Quero ver você olhar!
Maria Gomes: ...
Mesmo através da tela, a cena era sufocante.
Embora ela detestasse a vovó Paz, as ações daquela cuidadora eram cruéis demais...

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