Miguel Andrade voltou ao hotel, mas não foi imediatamente para o quarto.
Ele dirigiu-se ao 26º andar.
Esse andar abrigava o bar do hotel. No centro ficava o balcão e, ao redor, amplas janelas do chão ao teto que mostravam a vista noturna mais próspera e deslumbrante da Cidade Capital.
A iluminação no bar era baixa, com algumas luzes ambientes acesas, e havia poucos hóspedes dispersos pelo local.
Miguel Andrade olhou ao redor, localizou seu alvo e caminhou até ele.
Ao ouvir passos, Patrício Freitas virou-se; ele ainda segurava um copo de bebida.
— Resolvido?
Miguel Andrade assentiu e sentou-se à frente de Patrício Freitas.
Havia outro copo na mesa, deixado ali propositalmente para Miguel Andrade.
Patrício Freitas serviu a bebida e perguntou:
— Quer gelo?
— Quero.
Patrício Freitas adicionou duas pedras de gelo e, seguindo o hábito do amigo, uma fatia de limão. Em seguida, empurrou o copo para ele.
O som nítido do brinde ecoou.
— Como foi resolvido? — Perguntou Patrício Freitas.
Miguel Andrade tomou um gole da bebida e, acariciando o copo, respondeu:
— Como mais seria? Conforme a lei.
— Só isso? — Patrício Freitas ergueu levemente a sobrancelha, incrédulo.
Ele sabia que seu irmão parecia gentil, mas na verdade tinha um coração implacável e mãos firmes, não muito diferente dele próprio.
Como esperado, Miguel Andrade acrescentou:
— O secretário acabou de me informar que descobriu sonegação fiscal e suborno de funcionários na empresa da família dele. Mandei ele aproveitar e denunciar.
— Um belo aproveitamento. — Um sorriso surgiu nos olhos de Patrício Freitas.
Miguel Andrade virou o copo, bebendo todo o conteúdo, e perguntou:
— Você disse há pouco que vai para a Cidade G amanhã a trabalho? Não vai ficar mais uns dias na Cidade Capital?
Patrício Freitas baixou os olhos, girando o anel em seu dedo.
— O funeral acabou e a pessoa que eu queria ver, eu já vi.
Não havia mais motivo para continuar naquela cidade.
Ficar ali só traria mais sofrimento para ambos.
Miguel Andrade olhou para a aliança na mão dele e não disse nada.
Sendo ambos companheiros de infortúnio, o que ele poderia dizer?
Ele ergueu seu copo.
Patrício Freitas brindou com o seu, e os dois beberam tendo a próspera vista noturna lá fora como acompanhamento.
Solidão noturna, uma noite de prazer, e o pagamento depois costumava ser generoso.
Miguel Andrade ergueu os olhos para ela. Seu olhar era sombrio e afiado, assustador.
— Tire a mão!
A garota suavizou a voz, fazendo manha e implorando:
— Vamos brincar juntos, vai!
Quando uma mulher faz manha, a alma do homem costuma vacilar, ainda mais se for uma mulher bonita.
Ela não acreditava que o homem à sua frente pudesse continuar tão indiferente.
Miguel Andrade quase fora violado naquele dia. Havia inalado uma quantidade de droga, embora não muita, e tomado chá de lótus, mas ainda havia algum efeito residual.
Ao ver a mulher naquele momento, ele teve dificuldade em controlar suas emoções.
Sentiu até mesmo certa aversão a mulheres.
— Não entende a língua humana?
— Suma daqui!
A voz de Miguel Andrade não foi alta, mas carregava uma opressão extrema. A frieza em seus olhos causava arrepios.
As duas garotas, assustadas com Miguel Andrade, saíram sem jeito.
Depois que elas se foram, Patrício Freitas olhou para ele, surpreso.
— Tanta raiva assim? Ainda há resquícios da droga?

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