Enquanto conversavam, um rapaz jovem abraçou Giovana Silva por trás, cheirando suavemente o seu pescoço.
Giovana Silva o empurrou, e a voz de Maria Gomes veio pelo fone de ouvido:
— Se eu descansar mais, meu cérebro vai enferrujar. Me dê algum trabalho, rápido. Por favor. Eu quero trabalhar.
Maria Gomes não queria ficar parada, e nem ousava.
Ela tinha medo.
Medo de que, assim que parasse, a depressão invadisse seu coração e o mundo inteiro se tornasse cinza.
Giovana Silva conhecia bem o temperamento de Maria Gomes; se ela não lhe desse trabalho, Maria certamente procuraria Erick Rocha e Bernardo.
Em vez de facilitar para aqueles dois, era melhor tirar proveito para si mesma.
Giovana Silva respondeu:
— Tudo bem, tenho um trabalho que acabou de travar em um ponto crítico. Você pode dar uma olhada e nos aconselhar.
Giovana Silva desligou o telefone de Maria Gomes, e o rapaz grudou nela novamente, abraçando-a:
— Irmã, você não me ama mais?
— Não enche, a irmã aqui tem coisas sérias para fazer. Quando eu terminar, vou te dar atenção. Seja bonzinho e vá para a cama me esperar.
Após despachar o rapaz, Giovana Silva abriu o computador e encontrou um arquivo para enviar a Maria Gomes.
Ela também enviou uma mensagem de voz para Maria Gomes, explicando brevemente o projeto.
Em seguida, fechou o computador e entrou no quarto. A noite era uma criança e momentos de prazer valiam ouro; ela não desperdiçaria aquele belo cenário.
No momento em que Maria Gomes viu o arquivo do projeto, seu coração, antes nervoso e agitado, finalmente se acalmou.
Ela entrou diretamente no modo de trabalho, abriu o arquivo e começou a ler rapidamente.
De fato, o trabalho a preenchia; as emoções baixas de antes foram instantaneamente esquecidas.
Por outro lado, na residência da família Soares.
Luan Soares chegou em casa completamente bêbado, e a governanta serviu-lhe um copo de água morna.
Jorge Scholze, vestindo pijama, trouxe uma toalha quente e, enquanto limpava o rosto dele, repreendeu:
— Tio, você acabou de se recuperar de uma hemorragia estomacal, por que bebeu de novo? Se beber mais uma vez, vou contar para a bisavó e deixar ela te dar uma surra.
Luan Soares segurou o estômago:
— Pare de barulho, meu estômago dói.
— Então, você vai parar de beber ou não?
A governanta avisou o médico da família.
— E eu sou o SAMU?
Jorge Scholze virou a cabeça para olhar para Luan Soares, que juntou as mãos em prece, implorando para Jorge.
Jorge Scholze teve que continuar:
— Mas o tio disse que suas habilidades médicas são boas, ele quer que você venha aplicar umas agulhas nele para ele sofrer menos.
— Então diga a ele que, se quiser sofrer menos, pare de beber daqui para frente.
— Tia Maria, você vem?
— Eu não vou. Jorge, tem mais alguma coisa? Se não, vou desligar.
Do outro lado da linha, Luan Soares quase se ajoelhou para Jorge Scholze.
Jorge Scholze teve que continuar:
— Tia Maria, o tio não quer ir ao hospital e não deixa o médico vê-lo. Ele insiste que você venha aplicar as agulhas. Ele está fazendo um escândalo de bêbado em casa.
— Jorge, pergunte ao seu tio se ele precisa que eu ligue para a avó dele.
Do outro lado da linha, veio o choro quebrantado de Luan Soares:
— Maria Gomes, como você pode ser tão cruel? Eu estou morrendo de dor.

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