Ela estava ansiosa, apreensiva, atravessando a multidão, perseguindo aquela figura alta que segurava um guarda-chuva preto à frente.
Seus ouvidos estavam preenchidos apenas pelo som de seu coração batendo como um tambor.
Sua respiração tornava-se cada vez mais rápida.
— Caio! — Gritou Maria Gomes alto em direção àquela figura.
— Caio!
Maria Gomes suportou a dor nas pernas, correu rapidamente e agarrou a mão da pessoa.
— Caio.
Talvez fosse o medo de que o sonho se desfizesse, mas a voz de Maria Gomes saiu muito baixa.
Levemente trêmula.
Levemente embargada.
Ela segurava as mãos daquela pessoa com força, fixando o olhar nas costas largas do homem, sem piscar.
Como se tivesse medo de que, num piscar de olhos, ele desaparecesse de seu mundo.
Para nunca mais ser encontrado.
O homem, segurando o guarda-chuva, virou-se lentamente.
Ele baixou a cabeça e olhou para a mão que o segurava.
O guarda-chuva preto foi erguido aos poucos, revelando o rosto do homem.
O homem usava máscara e óculos escuros.
— Senhora, algum problema?
O rosto de Maria Gomes ficou instantaneamente pálido.
Sua mão se soltou, caindo sem forças.
Não era.
Não era a voz de Caio Soares.
Não era ele.
— Desculpe, confundi com outra pessoa.
O homem foi embora, mas Maria Gomes permaneceu parada no mesmo lugar, imóvel por um longo tempo.
O guarda-costas a alcançou:
— Srta. Gomes.
Maria Gomes olhava para a rua estranha com a alma perdida, murmurando baixinho:
— Não é ele.
...
Enquanto isso, no país T.
Na mansão de Maitê Padilha.
Caio Soares, vestindo camisa social e calça de alfaiataria, tinha um olhar profundo e frio.
A identidade de Davi Lucca definitivamente não era simples.
— Davi Lucca, tem certeza de que não quer repensar? Se você concordar, posso ajudá-lo a conseguir documentos de identidade e ainda lhe dar uma recompensa generosa. Absolutamente não vou tratá-lo mal. Além disso...
Maitê Padilha mudou o tom e disse:
— Sua amada não está aqui. Você não conta, eu não conto, como ela vai saber? Fique tranquilo, eu guardarei seu segredo.
A insistência de Maitê Padilha com Caio Soares não era um capricho momentâneo.
Era algo cuidadosamente ponderado.
A identidade de Davi Lucca não era simples.
Se ele fosse seu namorado falso e a protegesse, ela ainda precisaria ter medo daquela amante do pai e da filha bastarda dela?
Claro, se a farsa se tornasse realidade, ela também não sairia perdendo.
Afinal, Davi Lucca era bonito, muito viril, inteligente, habilidoso e educado.
Seus olhos não tinham aquela malícia de mulherengo.
O discurso dele agora pouco mostrava que seu caráter era íntegro.
Um bom homem assim é difícil de encontrar hoje em dia.
Afinal, o que mais existe agora são homens mortos por dentro, como o pai dela, que não conseguem controlar o que têm no meio das pernas e espalham sentimentos por aí.
Caio Soares continuou balançando a cabeça em recusa:
— Srta. Padilha, amar alguém de verdade é não ter coragem de mentir para ela. Embora ela não esteja ao meu lado, ela está no meu coração.

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