O carro de Luan Soares parou lentamente à beira da estrada.
O guarda-costas de Maria Gomes também estacionou logo atrás.
Maria Gomes empurrou a porta e desceu do veículo.
— Pode enviar a conta do conserto para mim.
Ao terminar de falar, Maria Gomes fechou suavemente a porta do carro, que parecia prestes a cair, e virou-se decisivamente para partir.
Luan Soares, irritado, empurrou a porta de seu lado, desceu e gritou:
— Maria Gomes!
Maria Gomes segurou a porta do carro, de costas para ele, sem olhar para trás.
Os olhos de Luan Soares estavam vermelhos.
— E se o meu irmão... E se ele não voltar?
A mão de Maria Gomes, apoiada na porta, apertou-se com força.
Seu coração sentiu uma pontada aguda de dor.
Alguns segundos depois, ela respondeu com firmeza:
— Ele vai voltar.
— E se não voltar? — Perguntou Luan Soares, com uma expressão obstinada. — E se, por acaso, ele não voltar?
— Se ele não voltar, a pessoa que eu amo continuará sendo ele.
Luan Soares pareceu ter recebido um golpe físico; seu corpo alto balançou.
Maria Gomes continuou de costas para Luan Soares, e disse com uma crueldade implacável:
— Luan Soares, eu não amo você. Não faça mais nada por mim.
Ela não merecia.
Ela não podia suportar.
Ela não podia aceitar, e muito menos retribuir.
Ela não queria dever mais nada emocionalmente a ninguém.
Maria Gomes entrou no carro e fechou a porta.
O veículo deslizou, passando ao lado de Luan Soares.
Luan Soares baixou o olhar, observando Maria Gomes dentro do carro.
Em seus olhos avermelhados, ainda restavam os últimos vestígios de esperança e expectativa.
Mas o carro simplesmente partiu, sem parar.
Lá dentro, Maria Gomes mantinha o olhar fixo à frente, sem sequer olhar uma vez para Luan Soares.
O carro se afastou uma certa distância.
Pelo retrovisor, via-se a silhueta de Luan Soares.
Luan Soares permanecia imóvel como uma escultura, sob a luz amarelada do poste.
Seus olhos vermelhos fitavam fixamente a direção em que Maria Gomes partira.
Seus cílios estavam úmidos; parecia ter chorado.
Aquela figura solitária parecia um cão abandonado pelo dono na beira da estrada.
Era uma visão desoladora.
O motorista sabia que nada do que dissesse adiantaria.
Pessoas presas em seus próprios labirintos mentais precisam encontrar a saída sozinhas.
Assim como a determinação obstinada da Srta. Gomes em rejeitar cruelmente todos os pretendentes, recusando-se até a ser amiga deles.
Luan Soares não conseguia superar essa barreira em seu coração.
Ele insistia em pensar que, se soubesse antes, o resultado poderia ter sido diferente.
Ele não aceitava.
Ele sentia uma injustiça profunda, por isso não queria abrir mão.
O motorista segurou o guarda-chuva em silêncio, sem dizer mais nada.
Sentimentos não são coisas que se explicam claramente; caso contrário, não haveria tantos corações partidos no mundo.
Quem observa de fora pode ser lúcido, mas continua sendo apenas um observador.
Enquanto isso, o carro de Maria Gomes atravessava a longa avenida e parou diante de um semáforo vermelho.
Maria Gomes olhava para fora da janela com uma expressão vazia e entorpecida.
De repente, como se tivesse visto algo, seus olhos se arregalaram.
Imediatamente, ela empurrou a porta e desceu do carro.
O guarda-costas foi pego de surpresa.
Quando o guarda-costas conseguiu descer, Maria Gomes já havia corrido para a calçada.
— Srta. Gomes!
Maria Gomes parecia viver em seu próprio mundo, bloqueando tudo ao redor, incapaz de ouvir os gritos do guarda-costas.

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