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Cinzas de Amor e Glória romance Capítulo 636

Caio Soares foi lá fora lavar as mãos na água da chuva, voltou para junto de Maria Gomes, agachou-se e segurou o braço dela para examinar o ferimento.

As ervas estavam tingidas de vermelho; era possível imaginar a profundidade do corte.

Ao pensar nisso, as mãos de Caio Soares tremeram:

— Me desculpe.

Lágrimas escorreram dos cantos dos olhos de Caio Soares; seu coração doía terrivelmente.

Ele desejava que aquele ferimento estivesse em seu próprio corpo.

Maria Gomes segurou o rosto dele com a mão direita, limpou suavemente as lágrimas com o polegar e depositou um beijo no canto do olho dele.

— Não chore, Caio. Quer me matar de pena?

Caio Soares a abraçou com força.

Maria Gomes deu tapinhas nas costas dele:

— Vai passar logo. Ferva um pouco de água para mim, por favor.

Depois que Caio Soares ferveu a água, Maria Gomes perguntou:

— O que vai fazer com o urso? Vai deixá-lo lá fora?

Caio Soares entendeu que Maria Gomes queria que ele cuidasse disso.

Ele pegou a adaga e saiu, arrastando o urso para um pouco mais longe.

Mas não muito longe; bastava erguer a cabeça para ver a caverna.

O que acontecera há pouco o deixara apavorado.

Ele não ousava ir longe demais, não ousava deixar Maria Gomes sozinha.

Embora soubesse que a constituição física de Maria Gomes havia sido fortalecida.

Mesmo que ele não tivesse chegado, Maria Gomes teria dado conta, apenas com mais esforço e mais ferimentos.

Mas preocupar-se com alguém nunca teve a ver com a capacidade dessa pessoa.

Só porque alguém é forte não precisa que ninguém se preocupe?

Não existe essa lógica no mundo.

Caio Soares encontrou um ponto de corte, tirou a pele do urso e cortou um grande pedaço de carne.

Com o restante da carne do urso, ele fez uma armadilha simples.

Encheu a armadilha de pontas de bambu e cobriu com folhas secas, de modo que parecesse perfeitamente normal.

Em seguida, voltou para a caverna com a carne do urso.

A carne foi colocada sobre o fogo para assar e secar, facilitando o armazenamento.

Maria Gomes apontou para o bambu com o remédio fervido que estava esfriando:

— Beba para prevenir resfriado.

— Tá bom. — Caio Soares obedeceu e bebeu todo o remédio.

Maria Gomes olhou para as roupas encharcadas dele:

— Tire a roupa.

Caio Soares obedeceu, tirou a camisa e a pendurou ao lado para secar.

Quanto às calças, ele olhou para Maria Gomes.

Sem ordem, ele não ousava tirar.

— Pode tirar, não é como se eu nunca tivesse visto. — Maria Gomes manteve a expressão calma, mas por dentro seu coração batia forte.

Caio Soares entendeu que era para tirar tudo, afinal Maria Gomes dissera "não é como se eu nunca tivesse visto".

De fato, ela não só tinha visto o que estava por baixo, como também usado.

Então, depois de tirar a calça, ele ia tirar a cueca naturalmente.

Ao ver isso, as bochechas de Maria Gomes ficaram instantaneamente vermelhas:

— Essa não tira!

Ao lembrar da grandiosidade da noite anterior, o rosto de Maria Gomes ficou ainda mais vermelho, parecia que ia pegar fogo.

Mas o feno onde dormiam fora queimado.

Caio Soares não podia deixar uma ferida dormir direto no chão.

Primeiro, o chão frio poderia agravar a doença.

Segundo, dormir no chão era desconfortável.

Caio Soares deitou-se perto da fogueira e deu tapinhas em si mesmo:

— Maria, deite em cima de mim.

Assim, Maria Gomes não passaria frio nem se machucaria no chão duro, dormindo com mais conforto.

Maria Gomes hesitou apenas por um segundo; dormir em cima do namorado era mais do que justo.

Ela se deitou sobre Caio Soares, ouvindo as batidas firmes e fortes do coração dele e sentindo o calor de seu corpo.

Em pouco tempo, adormeceu.

Caio Soares abraçou a cintura de Maria Gomes e beijou o topo da cabeça dela:

— Bons sonhos, Maria.

Mas aquilo estava fadado a ser apenas um desejo.

O ferimento de Maria Gomes era profundo e, sem antibióticos, a inflamação provocou febre.

Maria Gomes estava fervendo, com o rosto vermelho, testa franzida e o corpo sofrendo espasmos.

Caio Soares sentiu que ia morrer de susto. Geralmente tão calmo, como se nem o desabamento de uma montanha o abalasse.

Mas agora, ele estava em pânico e com o rosto ansioso.

Até tropeçou e caiu ao sair para buscar água.

A água de artemísia estava pronta, mas Maria Gomes trincava os dentes e não abria a boca de jeito nenhum.

Também não acordava quando chamada.

O que fazer?

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