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Cinzas de Amor e Glória romance Capítulo 635

— ROARRR ROARRR —

O rugido do urso tornou-se mais evidente. O rosto de Caio Soares empalideceu e seu coração quase parou.

Ele nem se preocupou em proteger a tocha e disparou a correr sob a tempestade.

Que não aconteça nada, por favor, que não aconteça nada!

Na caverna.

Maria Gomes arrumava as coisas quando ouviu o barulho e pensou que fosse Caio Soares voltando.

— Tão rápido, Caio...

A frase morreu na garganta de Maria Gomes.

Um urso preto adulto, de mais de cem quilos, apareceu na entrada da caverna.

O urso provavelmente viera se abrigar da chuva.

Pensando nisso, Maria Gomes agarrou levemente a adaga, segurou-a com firmeza e prendeu a respiração.

O urso preto entrou na caverna gingando e, com um golpe da pata, chutou a fogueira.

Madeira em brasa voou para todos os lados.

Um pedaço voou na direção de Maria Gomes; felizmente, ela inclinou o corpo e desviou habilmente.

Outro pedaço voou para o feno onde dormiam e, num instante, o fogo se alastrou, levantando chamas.

Mais um pedaço voou para a lenha empilhada na caverna. A lenha estava seca e não demoraria a pegar fogo também.

Maria Gomes franziu a testa. Aquela era a casa dela!!!!

O urso preto foi atraído pela carne de javali e de lebre defumada e começou a comer de cabeça baixa.

E a comida dela!!!!

Num piscar de olhos, ele terminou de comer e ergueu a cabeça, olhando para Maria Gomes.

A próxima seria ela.

Naquele momento, Maria Gomes suou frio de tensão, engoliu em seco e viu pelo canto do olho a pedra de seixo usada para cozinhar.

A pedra era achatada, grande e dura.

Perfeita para servir de arma.

No momento em que o urso se aproximou, ela não hesitou: agarrou a pedra e desferiu um golpe com força.

Com sua força atual, ela poderia arrancar uma árvore com as mãos.

Ao golpear com toda a força, por mais forte que fosse o urso, ele ficou atordoado.

Aproveite enquanto ele está tonto para matá-lo!

Maria Gomes aproveitou a oportunidade e, num ímpeto, cravou a adaga com força no olho do urso.

O urso preto tinha pele grossa e carne dura por todo o corpo, difícil de perfurar com a adaga; os olhos eram um excelente ponto de ataque.

Ao mesmo tempo, a pedra em sua outra mão golpeou novamente.

— ROARRR —

O urso rugiu de dor e fúria, abriu a boca enorme e avançou furioso sobre Maria Gomes.

Maria Gomes esquivou-se rapidamente, mas como a distância era curta, acabou sendo atingida pelas garras do urso no braço. O sangue jorrou.

Maria Gomes não teve tempo de se preocupar, pois o urso se virou e atacou novamente.

Ela ergueu a pedra que tinha na mão e a arremessou.

Entre virar as costas para correr e continuar atacando, Maria Gomes escolheu atacar.

Correr não garantia a fuga, e dar as costas ao inimigo era fatal!

A única pessoa em quem podia confiar era ela mesma.

Além disso, sua constituição física agora era diferente da de uma pessoa comum. Numa luta contra o urso, o resultado ainda era incerto!

Numa fração de segundo, Maria Gomes tomou a iniciativa e a adaga em sua mão buscou o olho do urso.

— ROARRR —

Maria Gomes foi derrubada no chão pelo urso, que abriu a boca para mordê-la.

— Eu mesma faço. Apague o fogo primeiro, senão ficaremos sem lenha para nos aquecer à noite.

Caio Soares olhou para o ombro ensanguentado de Maria Gomes e, com os olhos vermelhos, assentiu.

Ele lavou todas as ervas que Maria Gomes havia colhido e as colocou sobre folhas de bananeira recém-colhidas.

Em seguida, começou a arrumar a caverna.

A lenha em chamas foi levada para fora, onde a chuva a apagou imediatamente.

O feno onde dormiam fora quase todo queimado.

As amoras e uvas selvagens foram todas esmagadas e tiveram que ser retiradas da caverna.

Quanto ao urso preto.

Caio Soares agarrou a perna do urso com uma mão e o arrastou para fora. A chuva lavaria o cheiro de sangue.

O sangue dentro da caverna teve que ser lavado com água trazida em bambus, viagem após viagem.

Sorte que ainda restava um bambu inteiro.

Os outros bambus foram quebrados durante a luta.

O fogão e a mesa de pedra da caverna foram destruídos.

Apenas a frigideira de pedra achatada sobreviveu. Depois de lavar o sangue, ele a colocou na caverna para uso futuro.

Caio Soares entrava e saía incessantemente.

O sangue e as cinzas na caverna foram finalmente limpos por ele.

Ele cercou as pedras quebradas do fogão em um círculo, colocou as brasas restantes dentro, montou a lenha e reacendeu a fogueira.

A caverna ficou limpa e iluminada novamente.

Durante esse tempo, Maria Gomes lavou a ferida.

Depois, amassou folhas de uma erva hemostática e aplicou diretamente no ferimento.

As folhas ajudavam a estancar sangramentos abundantes, além de auxiliarem na desinflamação e na cicatrização.

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