— ROARRR ROARRR —
O rugido do urso tornou-se mais evidente. O rosto de Caio Soares empalideceu e seu coração quase parou.
Ele nem se preocupou em proteger a tocha e disparou a correr sob a tempestade.
Que não aconteça nada, por favor, que não aconteça nada!
Na caverna.
Maria Gomes arrumava as coisas quando ouviu o barulho e pensou que fosse Caio Soares voltando.
— Tão rápido, Caio...
A frase morreu na garganta de Maria Gomes.
Um urso preto adulto, de mais de cem quilos, apareceu na entrada da caverna.
O urso provavelmente viera se abrigar da chuva.
Pensando nisso, Maria Gomes agarrou levemente a adaga, segurou-a com firmeza e prendeu a respiração.
O urso preto entrou na caverna gingando e, com um golpe da pata, chutou a fogueira.
Madeira em brasa voou para todos os lados.
Um pedaço voou na direção de Maria Gomes; felizmente, ela inclinou o corpo e desviou habilmente.
Outro pedaço voou para o feno onde dormiam e, num instante, o fogo se alastrou, levantando chamas.
Mais um pedaço voou para a lenha empilhada na caverna. A lenha estava seca e não demoraria a pegar fogo também.
Maria Gomes franziu a testa. Aquela era a casa dela!!!!
O urso preto foi atraído pela carne de javali e de lebre defumada e começou a comer de cabeça baixa.
E a comida dela!!!!
Num piscar de olhos, ele terminou de comer e ergueu a cabeça, olhando para Maria Gomes.
A próxima seria ela.
Naquele momento, Maria Gomes suou frio de tensão, engoliu em seco e viu pelo canto do olho a pedra de seixo usada para cozinhar.
A pedra era achatada, grande e dura.
Perfeita para servir de arma.
No momento em que o urso se aproximou, ela não hesitou: agarrou a pedra e desferiu um golpe com força.
Com sua força atual, ela poderia arrancar uma árvore com as mãos.
Ao golpear com toda a força, por mais forte que fosse o urso, ele ficou atordoado.
Aproveite enquanto ele está tonto para matá-lo!
Maria Gomes aproveitou a oportunidade e, num ímpeto, cravou a adaga com força no olho do urso.
O urso preto tinha pele grossa e carne dura por todo o corpo, difícil de perfurar com a adaga; os olhos eram um excelente ponto de ataque.
Ao mesmo tempo, a pedra em sua outra mão golpeou novamente.
— ROARRR —
O urso rugiu de dor e fúria, abriu a boca enorme e avançou furioso sobre Maria Gomes.
Maria Gomes esquivou-se rapidamente, mas como a distância era curta, acabou sendo atingida pelas garras do urso no braço. O sangue jorrou.
Maria Gomes não teve tempo de se preocupar, pois o urso se virou e atacou novamente.
Ela ergueu a pedra que tinha na mão e a arremessou.
Entre virar as costas para correr e continuar atacando, Maria Gomes escolheu atacar.
Correr não garantia a fuga, e dar as costas ao inimigo era fatal!
A única pessoa em quem podia confiar era ela mesma.
Além disso, sua constituição física agora era diferente da de uma pessoa comum. Numa luta contra o urso, o resultado ainda era incerto!
Numa fração de segundo, Maria Gomes tomou a iniciativa e a adaga em sua mão buscou o olho do urso.
— ROARRR —
Maria Gomes foi derrubada no chão pelo urso, que abriu a boca para mordê-la.
— Eu mesma faço. Apague o fogo primeiro, senão ficaremos sem lenha para nos aquecer à noite.
Caio Soares olhou para o ombro ensanguentado de Maria Gomes e, com os olhos vermelhos, assentiu.
Ele lavou todas as ervas que Maria Gomes havia colhido e as colocou sobre folhas de bananeira recém-colhidas.
Em seguida, começou a arrumar a caverna.
A lenha em chamas foi levada para fora, onde a chuva a apagou imediatamente.
O feno onde dormiam fora quase todo queimado.
As amoras e uvas selvagens foram todas esmagadas e tiveram que ser retiradas da caverna.
Quanto ao urso preto.
Caio Soares agarrou a perna do urso com uma mão e o arrastou para fora. A chuva lavaria o cheiro de sangue.
O sangue dentro da caverna teve que ser lavado com água trazida em bambus, viagem após viagem.
Sorte que ainda restava um bambu inteiro.
Os outros bambus foram quebrados durante a luta.
O fogão e a mesa de pedra da caverna foram destruídos.
Apenas a frigideira de pedra achatada sobreviveu. Depois de lavar o sangue, ele a colocou na caverna para uso futuro.
Caio Soares entrava e saía incessantemente.
O sangue e as cinzas na caverna foram finalmente limpos por ele.
Ele cercou as pedras quebradas do fogão em um círculo, colocou as brasas restantes dentro, montou a lenha e reacendeu a fogueira.
A caverna ficou limpa e iluminada novamente.
Durante esse tempo, Maria Gomes lavou a ferida.
Depois, amassou folhas de uma erva hemostática e aplicou diretamente no ferimento.
As folhas ajudavam a estancar sangramentos abundantes, além de auxiliarem na desinflamação e na cicatrização.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de Amor e Glória