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Cinzas de Amor e Glória romance Capítulo 637

Não havia tempo para hesitar.

Caio Soares virou a cabeça e tomou o remédio, segurando-o na boca. Em seguida, baixou a cabeça, forçou a abertura dos dentes dela com os seus lábios e transferiu o remédio pouco a pouco.

Depois de repetir isso algumas vezes, Caio Soares estava suando frio.

Ele largou o bambu e foi buscar a roupa que deixara de molho na água da nascente lá fora.

A água da nascente deixara a roupa gelada, perfeita para fazer compressas em Maria Gomes.

Quando a roupa esquentava, Caio Soares ia até a nascente lavá-la e resfriá-la novamente.

Nesse vaivém, passou-se mais de uma hora.

A febre de Maria Gomes ainda não baixara.

Caio Soares estava desesperado, com os olhos vermelhos de sangue e bolhas surgindo no canto da boca.

Ele a abraçava com força e enrolou sua calça seca, que estava sendo aquecida no fogo, ao redor de Maria Gomes, esperando que ela suasse.

Ele contava o tempo mentalmente.

Cerca de três horas depois, ele deu mais uma dose de água de artemísia a Maria Gomes, sem nunca parar com as compressas frias.

Depois de passar a noite inteira nessa luta, a febre de Maria Gomes finalmente cedeu.

Mas a chuva não parou; continuava caindo, e não era fraca.

Caio Soares olhou para a lenha na caverna.

Felizmente, a lenha que ele recolhera era grossa e demoraria a queimar.

Então, mesmo com a perda da noite anterior, a maior parte foi salva.

A lenha restante duraria uns três ou quatro dias sem problemas.

E aquele pedaço de carne de urso era grande, suficiente para as refeições desses dias.

Além disso, ele usara o urso como isca na armadilha.

Assim que a chuva parasse, os animais sairiam para comer e talvez houvesse alguma captura.

O café da manhã seria apenas carne de urso grelhada.

Por sorte, as cebolinhas plantadas fora da caverna não foram destruídas pelo urso.

Enquanto colhia cebolinhas, Caio Soares ouviu o som de asas batendo em meio ao barulho da chuva.

Ele olhou ao redor e viu, por acaso, um pássaro desconhecido voando para dentro de uma fenda na rocha e não saindo mais.

Caio Soares olhou para cima, mas de baixo não conseguia ver nada.

Então, subiu numa árvore grande ali perto.

Com a chuva, o tronco estava escorregadio, difícil de escalar.

Ele fez um esforço enorme para subir.

Lá de cima, aproveitando a altura da árvore, viu que na fenda da rocha havia um grande ninho de pássaro.

Maria Gomes acabara de passar por uma doença grave e estava com a imunidade baixa; precisava se alimentar bem.

Mas a maioria dos doentes não tem apetite e não suporta coisas gordurosas.

Ele estava preocupado que Maria Gomes não conseguisse comer a carne grelhada no café da manhã.

Foi uma coincidência divina: esse "vizinho" que saíra para buscar comida acabara de voltar.

E ele ouviu.

Parado na árvore, Caio Soares viu claramente que o alimento que o "vizinho" buscara era a carne do urso preto.

Caio Soares se arrependeu de não ter trazido o estilingue de Maria Gomes.

Teve que escorregar para baixo e voltar à caverna para pegar.

— Raaasg —

O som de tecido rasgando.

Caio Soares olhou para baixo e viu que sua cueca fora rasgada por um galho.

Quando levantou, ele tinha colocado a calça debaixo de Maria Gomes e estava usando apenas a cueca.

Caio Soares ficou sem reação.

Ele pulou da árvore e caminhou para a caverna.

Nesse momento, Maria Gomes já havia acordado e estava sentada sobre a calça de Caio Soares, olhando para o nada.

Os olhares se cruzaram.

Caio Soares baixou os olhos para Maria Gomes na entrada da caverna e sorriu:

— Acertei.

Maria Gomes sorriu e elogiou:

— O Caio é muito bom.

O reconhecimento da amada deixou Caio Soares de ânimo leve e radiante.

O problema agora era pegar a caça.

O penhasco era difícil de escalar, sem pontos de apoio, e com a chuva tudo estava escorregadio.

Mas isso não deteria Caio Soares.

Ele procurou um galho longo e reto, da grossura do braço de um bebê, e o quebrou.

Retirou os ramos extras.

Subiu na árvore novamente e, usando o galho, cutucou o ninho.

O ninho caiu, trazendo junto o pássaro enorme.

Era realmente grande.

Pesava uns quatro quilos.

Caio Soares depenou o pássaro rapidamente, passou no fogo para queimar a penugem restante.

Limpou as vísceras e jogou longe.

Em seguida, cortou a carne em pedaços pequenos e jogou no bambu para cozinhar com água.

Ele mesmo comeu carne de urso refogada com cebolinha.

Maria Gomes também comeu alguns pedaços com esforço, depois comeu um pouco da carne do pássaro e bebeu a sopa.

Depois de comer, Maria Gomes foi trocar o curativo.

Foi a primeira vez que Caio Soares viu o ferimento de Maria Gomes com clareza.

Várias marcas de garras, profundas.

A área ao redor da ferida estava vermelha e inflamada.

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